Artistas e intelectuais brasileiros aos senadores pró-golpe: Respeitem o resultado das eleições de 2014; do contrário, história cobrará explicações

Artistas brasileiros

Artistas e Intelectuais brasileiros pedem que senadores respeitem o resultado das eleições de 2014

26 de agosto de 2016

O Brasil vive um dos momentos mais dramáticos de sua história, com a proximidade da votação final sobre o impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

O mundo assiste com preocupação a essa ameaça à democracia, como no caso de nossos colegas do Reino Unido, Estados Unidos, Canada e Índia, que publicaram uma declaração alertando que o impeachment representaria “um ataque as instituições democráticas”, que levaria ao retrocesso econômico e social.

Os senadores que defendem o impeachment ficarão marcados na história por protagonizar o ataque mais cruel à nossa democracia desde o golpe militar de 1964. A história cobrará explicações, já que não existe base legal para justificar o impeachment.

De acordo com o Ministério Público Federal, a presidenta Dilma Rousseff não cometeu crime. Por isso, seu afastamento é claramente uma manobra política para tomada de poder sem a aprovação das urnas.

Esse ataque aos processos democráticos representa uma ameaça aos direitos humanos e levará o Brasil a uma situação de maior instabilidade política e desigualdade social e econômica.

O ator Wagner Moura afirmou: “Estamos profundamente agradecidos por essas importantes palavras de apoio de nossos colegas na Grã-Bretanha, Estados Unidos, Canada e Índia. Os políticos corruptos que lideram a articulação para depor Dilma têm de saber que há um holofote internacional iluminando suas ações. Se eles derem continuidade ao seu plano, serão lembrados pela história como os responsáveis pelo mais sinistro ataque à democracia desde o Golpe de 1964”.

A manifestação de Wagner Moura contra o impedimento de Dilma recebeu adesões de:

1. Adair Rocha, professor

2. Aderbal Freire Filho, diretor teatral

3, Alice Ruiz, poeta

4. André Lázaro, professor

5.Augusto Sampaio, professor

6.Bete Mendes, atriz

7. Biel Rocha, militante de direitos humanos

8. Caetano Veloso, compositor e cantor

9. Camila Pitanga, atriz

10. Carla Marins, atriz

11. Cecília Boal, psicanalista

12. Cesar Kuzma, teólogo e professor

13. Célia Costa, historiadora e documentarista

14. Charles Fricks, ator

15. Chico Buarque, compositor e cantor

16. Clarisse Sette Troisgros, produtora

17. Cristina Pereira , atriz

18. Dira Paes, atriz Dira Paes

19. Dulce Pandolfi, cientista política

20. Eleny Guimarães-Teixeira, médica

21. Generosa de Oliveira Silva, socióloga

22. Gilberto Miranda, ator

23. Gaudêncio Frigotto – escritor e professor

24. Isaac Bernat, ator

25.José Sérgio Leite Lopes – antropólogo

26 Julia Barreto, produtora Julia Barreto

27. Jurandir Freire Costa, psicanalista e professor

28. Leonardo Vieira, ator

29. Leticia Sabatella, cantora e compositora

30. Luis Carlos Barreto, cineasta e produtor

31. Luiz Fernando Lobo, diretor artístico

32. Marco Luchesi, poeta e professor

33. Maria Luisa Mendonça, professora e jornalista

34. Marieta Severo, atriz

35. Paulo Betti, ator. Paulo Betti

36. Ricardo Rezende Figueira, padre e professor

37. Roberto Amaral – escritor

38. Sílvia Buarque, atriz

39. Tuca Moraes, atriz e produtora

40. Virginia Dirami Berriel, jornalista

41. Xico Teixeira, jornalista

Versão em inglês:

Brazilian artists and intellectuals call on senators to respect the results of the 2014 elections

Brazil is in the midst of one of the most dramatic moments in its history, with the final vote on the impeachment of President Dilma Rousseff only days away.

The world has been watching this threat to democracy with concern, as we have seen with our colleagues from the U.K., U.S., Canada and India, who published a statement warning that the impeachment would amount to “an attack on democratic institutions” that would lead to economic and social decline. The senators who support the impeachment will be remembered for their role in leading the most cruel assault on our democracy since the 1964 military coup. History will judge them harshly, as there is on legal basis justifying the impeachment.

As the Federal Public Ministry has confirmed, President Dilma Rousseff has committed no crime. This is why her removal is clearly a political maneuver designed to take power without the support of Brazil’s voters.

This attack on a democratic system is a threat to human rights and will lead to greater political instability and social and economic inequality in Brazil.

There is a growing list of supporters of Wagner Moura’s statement opposing the removal of President Rousseff:

1. Adair Rocha, professor

2. Aderbal Freire Filho, diretor teatral

3, Alice Ruiz, poeta

4. André Lázaro, professor

5.Augusto Sampaio, professor

6.Bete Mendes, atriz

7. Biel Rocha, militante de direitos humanos

8. Caetano Veloso, compositor e cantor

9. Camila Pitanga, atriz

10. Carla Marins, atriz

11. Cecília Boal, psicanalista

12. Cesar Kuzma, teólogo e professor

13. Célia Costa, historiadora e documentarista

14. Charles Fricks, ator

15. Chico Buarque, compositor e cantor

16. Clarisse Sette Troisgros, produtora

17. Cristina Pereira , atriz

18. Dira Paes, atriz Dira Paes

19. Dulce Pandolfi, cientista política

20. Eleny Guimarães-Teixeira, médica

21. Generosa de Oliveira Silva, socióloga

22. Gilberto Miranda, ator

23. Gaudêncio Frigotto – escritor e professor

24. Isaac Bernat, ator

25.José Sérgio Leite Lopes – antropólogo

26 Julia Barreto, produtora Julia Barreto

27. Jurandir Freire Costa, psicanalista e professor

28. Leonardo Vieira, ator

29. Leticia Sabatella, cantora e compositora

30. Luis Carlos Barreto, cineasta e produtor

31. Luiz Fernando Lobo, diretor artístico

32. Marco Luchesi, poeta e professor

33. Maria Luisa Mendonça, professora e jornalista

34. Marieta Severo, atriz

35. Paulo Betti, ator. Paulo Betti

36. Ricardo Rezende Figueira, padre e professor

37. Roberto Amaral – escritor

38. Sílvia Buarque, atriz

39. Tuca Moraes, atriz e produtora

40. Virginia Dirami Berriel, jornalista

41. Xico Teixeira, jornalista

O post Artistas e intelectuais brasileiros aos senadores pró-golpe: Respeitem o resultado das eleições de 2014; do contrário, história cobrará explicações apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Golpe faz Brasil retomar tradição antidemocrática

golpe capa

 

A alta possibilidade de o golpe parlamentar contra Dilma Rousseff se materializar na semana que entra remete a reflexão imperativa sobre a situação institucional do país daqui em diante. Não é uma reflexão agradável, mas é mais do que necessária e urgente.

Em 2002, o cientista político Fábio Wanderley Reis, doutor pela Universidade de Harvard e professor emérito da UFMG, divulgou análise que afirmava que a democracia brasileira só se consolidaria se o sucessor de Fernando Henrique Cardoso cumprisse seu mandato até o fim e o sucessor dele também.

A razão da análise de Reis, feita há cerca de 14 anos, é a de que o Brasil é um país de tradição antidemocrática. Desde a proclamação da República, em 1889, tivemos 50 anos de democracia e 70 anos de regimes oriundos de golpes de Estado.

Em setembro do ano passado, este Blog produziu e divulgou estudo que mostrava que, em toda história republicana brasileira, só 11 presidentes haviam terminado seus mandatos. Em abril deste ano, porém, a revista Fórum produziu estudo ainda mais interessante sobre o tema porque traz um belíssimo infográfico, que torna o assunto ainda mais compreensível.

O Estudo é do jornalista André Deak e mostra que golpe, no Brasil, é “tradição”. Veja, abaixo, infográfico com a linha do tempo desde o golpe militar de Deodoro da Fonseca, que deu origem à República, até o governo Dilma Rousseff.

golpe 1

Segundo esse estudo, “desde o golpe de Deodoro são 76 anos não-exatamente-democráticos contra 50 anos de ‘democracia’. Ou seja: o ponto fora da curva é onde estamos agora. No Brasil, a tradição é o golpe”.

O estudo em tela é bem melhor do que o feito por esta página alguns meses antes porque não se resume a quantificar quantos presidentes foram realmente eleitos pelo voto popular; mostra que mesmo presidentes eleitos valeram-se de estratégias antidemocráticas sob regras do mesmo jaez. Desse modo, pela lógica do jornalista citado, apenas 5 presidentes concluíram seus mandatos.

Confira a matéria:

“Consideramos toda a República Velha como períodos ‘autoritários’, já que, mesmo quando não era golpe de fato, tipo o Floriano Peixoto, em 1894, na esteira do golpe do Deodoro, ou o do Vargas em 1930, não dá pra dizer que era assim uma democracia. Quando teve eleição, votavam uns 3% da população, fraude generalizada, voto de cabresto, coronéis, acordão da República do Café com Leite, voto feminino nacional só em 1932, e outras tretas. Ou seja: 56 anos aí sem democracia.

Daí, entre 1945 e 1964 foram 19 anos de ‘democracia’, tirando ali o golpe parlamentarista contra o Jango (1961) ou o golpe contra o Juscelino (1955), que não vingaram muito. De qualquer forma, nesses 19 anos foram 12 presidentes, 6 deles interinos. Só dois dos que foram eleitos terminaram o mandato: Dutra (1946-1951) e JK (1956-1961).
Daí 20 anos da ditadura (1964-1984).

Em geral, considera-se que do Sarney (1985 em diante) já foi um período democrático, mas lembremos que ele era ministro dos militares, foi uma eleição indireta e era vice do Tancredo, que morreu antes de tomar posse.

A primeira eleição foi em 1989, quando se elegeu o Collor (esquece o debate do Globo). De 1984 a 2016, ok, temos “democracia” (pelo menos pra quem é homem, branco, classe média pra cima. Boa parte do restante vive numa semi-democracia, quando não em ditaduras mesmo, assassinados pela PM – ‘por que o senhor atirou em mim?’).

Outro dado: em toda a República, nos 50 anos considerados ‘democráticos’, só 5 presidentes eleitos terminaram o mandato: Dutra, JK, FHC, Lula e Dilma. Dá pra incluir também o Itamar se quiser (ele foi eleito e terminou o mandato, mas começou como vice do Collor, assumiu na renúncia dele e depois ficou até o fim)”.

Apesar da evidência do golpe, seus autores (impérios de mídia, partidos e parlamentares envolvidos na derrubada de Dilma e o próprio “presidente da República interino”) tentam negar que esteja sendo dado um golpe, dizendo-o “processo legal”, chamando-o de “impeachment”.

Só quem os golpistas tupiniquins de plantão enganam é uma parcela considerável, provavelmente majoritária dos brasileiros. No exterior, até a imprensa conservadora se inquieta com o impeachment de Dilma.

O The New York Times vem apontando, reiteradamente, os aspectos suspeitos do processo de impeachment. Charge recém-publicada pelo veículo dá bem a dimensão de como o mundo vem encarando o suposto “processo de impeachment” da presidente constitucional dos Brasil.

golpe 2

Veículos menos conservadores do que o The New York Times, mas igualmente importantes, são bem mais incisivos. No sábado, o mundo atentou para editorial do jornal francês Le Monde que afirma que o “impeachment” de Dilma “ou é golpe ou é farsa”

O jornal está muitíssimo bem informado e diz que anular 54 milhões de votos por conta de uma manobra contábil não é motivo para deposição de um presidente nem no próprio Brasil, e muito menos em outros países que respeitam mais o voto popular.

A frase exata do editorial dá motivos aos brasileiros para se preocuparem:

“Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.”

Formas tradicionais de militância adotadas em períodos de normalidade democrática deixam de ser eficientes, nesse contexto. O Brasil está imerso em uma ditadura. Prisões são levadas a cabo sem provas, políticos de direita acusados dos mesmos crimes que políticos de esquerda, à diferença destes não vão para a cadeia.

Devemos nos preparar para enfrentar a recaída do país em um regime antidemocrático que já ameaça resvalar para o autoritarismo. Não podemos mais, os democratas, ficar dispersos. Temos que nos aglutinar em partidos e lutar de forma organizada pela redemocratização do Brasil.

Publicação de: Blog da Cidadania

Luiz Cláudio Cunha: Mestre da pergunta, Geneton morreu desencantado

Captura de Tela 2016-08-28 às 07.15.20

Geneton Moraes Neto (1956-2016)

O Mestre Perguntador morre desencantado com o jornalismo

por Luiz Cláudio Cunha *

O jornalismo brasileiro ficou mais obtuso, medíocre, raso, frio, casmurro e sem respostas nesta segunda-feira, 22 do agosto sempre aziago.

Perdemos o Geneton.

Geneton Moraes Neto morreu no Rio de Janeiro aos 60 anos, vencido pelas complicações de um aneurisma na aorta sofrido três meses antes. Na autoapresentação de seu blog, criado em 2004, ele já avisava: “Nasci numa sexta-feira 13, num beco sem saída, numa cidade pobre da América do Sul: Recife. Tinha tudo para fracassar. Fracassei”.

Bela mentira. Em quatro décadas de jornalismo, o Geneton do beco e da sexta-feira 13 tornou-se, para sorte de todos nós, um exemplo de sucesso e uma referência para todos os repórteres que tentam ser fiéis ao compromisso irrevogável de uma imprensa dedicada à verdade, à memória, à história e ao dever de consolar os aflitos e afligir os consolados.

Ele começou como repórter em sua terra, no Diário de Pernambuco e na sucursal local de O Estado de S.Paulo¸ nos duros anos do Governo Geisel, em plena ditadura. Foi estudar no exterior. Em Paris, trabalhou como camareiro do Hotel Mônaco e motorista de uma família rica enquanto estudava Cinema na Sorbonne.

Voltou ao jornalismo, e ao Brasil, para trabalhar no Grupo Globo a partir de 1985. Ali, o repórter que se dizia fracassado foi chefe e mestre nos principais postos de jornalismo da casa: editor-executivo do Jornal da Globo e do Jornal Nacional, correspondente em Londres da GloboNews e do jornal O Globo, repórter e editor-chefe do Fantástico.

Nenhuma mesa poderosa da burocracia da redação, porém, deslumbrou o ex-fracassado do beco: “Não troco por nada o exercício da reportagem — a única função realmente importante no jornalismo”, definia Geneton no seu blog. E foi na função seminal de repórter, não como executivo de redação, que Geneton imprimiu sua marca indelével na imprensa brasileira. As provas estão guardadas para sempre no seu blog, geneton.com.br, que devia ser tombado como patrimônio cultural e leitura obrigatória para estudantes, repórteres, jornalistas e todos aqueles que respeitam a inteligência e o conhecimento. Ali, Geneton passeia sua intimidade, seu talento e seu ofício de repórter exemplar e humilde diante da notícia e de gente que, como ele, fez História. Presidentes e ex-governantes, generais e guerrilheiros, escritores e cineastas, atletas e poetas, astronautas e políticos, cantores e compositores, jornalistas e repórteres, grandes repórteres como ele, passaram pelo crivo de sua inteligência e argúcia.

Os bastardos

As duas sobreviventes do Titanic, o copiloto da bomba de Hiroshima, o assassino de Martin Luther King, o produtor dos Beatles, o promotor britânico do tribunal de Nuremberg, o agente secreto que tentou matar Hitler, os três astronautas que pisaram na Lula, o confessor de Bin Laden nas montanhas de Bora-Bora, o professor do líder dos terroristas do 11 de Setembro, o homem que encarou o ‘Setembro Negro’ nas Olimpíadas de Munique, o filho do carrasco nazista de Auschwitz que ataca o próprio pai, o guerrilheiro brasileiro que recrutou a mãe para a luta armada, o repórter de Watergate que derrubou o presidente da Casa Branca, o relato dos 11 jogadores brasileiros da derrota na final da Copa de 1950 num Maracanã estufado com 10% da população do Rio de Janeiro na época, mais de 200 mil torcedores.

Todos fazem parte deste universo mágico que Geneton esquadrinhou e trouxe para perto de nós, para nos recontar, com detalhes inéditos, a saga da espécie humana, nos seus bons e maus momentos. “Que se faça a louvação da reportagem. O papel de todo repórter é produzir informação a curto prazo. E memória, a longo prazo – de preferência, nas páginas de um livro, hoje transformado em espaço nobre a reportagem no Brasil”, escreveu Geneton na orelha do penúltimo de seus onze livros, Dossiê História (2007).
Ali, Geneton se define modestamente como um “pequeno tarefeiro da memória porque, em última instância, a memória é a grande matéria-prima do jornalismo”. Nessa tarefa, ele seguia com

devoção o mandamento de um velho jornalista do inglês The Times, que ensinava:

Toda vez que estiver entrevistando alguém, anônimo ou famoso, rico ou pobre, o repórter deve sempre fazer a si mesmo, intimamente, a seguinte pergunta:
‘Por que será que estes bastardos estão mentindo para mim?’

O blog de Geneton se define como ‘jornal de um repórter’ e tem até uma padroeira, uma tal de ‘Nossa Senhora do Perpétuo Espanto’. Ele explicava:

Para que possam contribuir com esse ‘mundo real’, os jornalistas têm que ter uma atitude de permanente espanto. Precisam ser ‘levantadores’, não ‘derrubadores’ de matéria.

É aí que entra em cena, gloriosamente, a Nossa Senhora do Perpétuo Espanto. Quando criou esta ‘entidade’, Kurt Vonnegut [1922-2007, escritor, EUA] não estava se referindo ao jornalismo, mas essa ‘santa’ deveria ser proclamada padroeira plenipotenciária da nossa profissão.

O jornalista precisa manter, em algum ponto de suas florestas interiores, aquela chama, aquela faísca, aquele espanto que se vê no brilho dos olhos de um estagiário – ou de uma criança.

Quando você se guia pelo entusiasmo das pessoas que estão fora da redação, o resultado do trabalho é melhor do que se você se guiasse pelo tédio dos que estão dentro.

Geneton ensinava que o mundo real é mais interessante do que o mundo dos jornalistas: “Cansei de ver, ouvir e encontrar leitores e telespectadores mais interessados pelos fatos do que jornalistas.

Não estou falando de algo abstrato, mas de uma situação real, palpável, comprovável no dia a dia dos jornais. Cansei de ver em redações um clima de tédio total entre os jornalistas. Se você atravessar a rua, for à padaria e comentar que entrevistou uma velhinha que foi passageira do Titanic, provavelmente os ‘ouvintes’ farão perguntas e se interessarão pelo assunto, enquanto muitos jornalistas dirão, com os olhos semicerrados de tédio: ‘Ah, mas já faz 100 anos que o Titanic afundou…’.”

Esse diagnóstico levou Geneton à descoberta de uma terrível doença que ataca as principais redações brasileiras: a SFE, a ‘Síndrome da Frigidez Editorial’, que ele batizou e, com ar divertido, ameaçava registrar na Organização Mundial da Saúde. Definição da síndrome, segundo Geneton: “É a doença do jornalista que, depois de anos de profissão, perde a capacidade de se espantar diante da realidade. Se perde esse fogo, o jornalista deve mudar de profissão”.

E jornalista que não se espanta, é claro, nem pergunta mais.

O crédito do general

Perguntar é o que Geneton sabia fazer como ninguém na imprensa brasileira. Como já se disse, “o jornalismo é a atividade humana que depende essencialmente da pergunta, não da resposta. O bom jornalismo se faz e se constrói com boas perguntas”.

Inimigo juramentado do terno e gravata, fiel ao seu negro blusão de gola rolê que fazia contraste com o branco da barba e dos cabelos desgrenhados e cada vez mais ralos no alto da cabeça, Geneton não se intimidava diante das luzes e câmeras da GloboNews, muito menos diante de seus entrevistados. Preocupado menos com a forma, o penteado ou o traje, ele não descuidava nunca do conteúdo, a partir da pauta que ele mesmo escrevinhava, em letras grandes, em folhas de papel almaço que brandia e consultava sem constrangimentos em suas entrevistas. Com sua fala mansa e firme, no doce sotaque recifense que preservou até o fim, Geneton encarava as respostas enganosas com mais perguntas — rápidas, incisivas, cirúrgicas —, repelindo as mentiras com outras perguntas que conduziam à verdade.

Quando o notório Paulo Maluf negou ser sua a assinatura de uma conta no exterior, mesmo diante do documento exibido pelo entrevistador, Geneton disparou:

— O sr. nega então que este Paulo Maluf, aqui, seja o senhor?

— Nego.

— Mesmo com a assinatura de Paulo Maluf?

— Nego.

— Então, existe outro Paulo Maluf?

O Maluf à sua frente ficou em silêncio.

Como todo bom repórter, Geneton era teimoso. Tentou uma, duas, três vezes, até convencer o general Leônidas Pires Gonçalves (1921-2015), ministro do Exército do Governo Sarney, a lhe dar uma histórica entrevista em 2010. Nos créditos da telinha, supreendentemente, o general não aparece identificado como o primeiro ministro militar da democracia, mas como o chefe da repressão da finada ditadura, a quem Leônidas serviu com espartana e rígida fidelidade. Por isso, na entrevista da GloboNews, o general é creditado apenas como ‘chefe do DOI-CODI, 1974-1977′.

O general falou com uma fluência inédita e uma sinceridade desconcertante, levantando temas que beiravam a fantasia, a leviandade e a arrogância.  Ironizou as denúncias (“Hoje todo mundo diz que foi torturado para receber a bolsa-ditadura”) e duvidou até do assassinato do jornalista Vladimir Herzog sob torturas no DOI-CODI de São Paulo, em 1975: “Eu não tenho convicção de que Herzog tenha sido morto… Um homem não preparado e assustado faz qualquer coisa. Até se mata”.

Leônidas desafiou qualquer um a dizer que foi torturado no DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro, que ele comandou como chefe do Estado-Maior durante quase três anos, na fase mais turbulenta do governo Geisel. ‘Não houve tortura na minha área’, garantiu Leônidas.

Devia ser uma bolha milagrosa, porque ali mesmo no I Exército, comandado pelo general Sylvio Frota entre julho de 1972 e março de 1974, o DOI-CODI carioca era um centro de morte, conforme apurou O Globo. Naquele espaço de 21 meses, contou o jornal, morreram 29 presos nas masmorras da afamada rua Barão de Mesquita, onde funcionava o centro de torturas do Exército, comandado pelo notório major Adyr Fiúza de Castro, um dos radicais mais temidos da ditadura. Bastou chegar ali e assumir o DOI-CODI carioca, fantasiava o general Leônidas, e a paz dos anjos se instalou.

Sem arrogância, Geneton enfrentou o general Leônidas com perguntas precisas, enxutas, minimalistas, que iluminaram a história e conseguiram arrancar o melhor (e o pior) do chefe da repressão política que se orgulhava de seu trabalho na ditadura. Preocupado com a edição do programa na TV, Leônidas se apressou em ensinar jornalismo a Geneton:

— Que minhas ideias não sejam suprimidas na edição. Se houver um corte, você me deixa mal — avisou o general, esquecido de que o regime de força que ele defendeu se esmerava em cortes sistemáticos pela censura burra que suprimia ideias e fatos que sempre deixam mal as ditaduras. Geneton não cortou, e ainda assim o general Leônidas ficou muito mal pelas ideias que exprimiu, livremente.

Sempre educado, mas incorrigivelmente firme, Geneton questionou a exótica versão do general de que líderes do regime deposto – como Arraes, Brizola, Jango, Prestes – saíram do Brasil, a partir de 1964, ‘porque quiseram’. Leônidas mirou no ex-governador Miguel Arraes, conterrâneo de Geneton, pregando:

– Ele [Arraes] podia ter ficado em casa…

– Deposto – emendou Geneton.

– E qual é o problema? – admirou-se o general.

– Todo – encerrou Geneton, com a sintética sabedoria que o general, já nos seus 90 anos, ainda não apreendera. – Não havia condições de exercer a política no Brasil, naquela época, general.

O ex-chefe do DOI-CODI desdenhou toda uma fase de arbítrio e violência, dizendo que o país não teve exilados pelo golpe de 1964, mas apenas ‘fugitivos’.

– Eles que ficassem aqui e enfrentassem a justiça – pregou Leônidas.

– General, num regime de exceção, a justiça não é confiável – replicou o repórter, com a altivez e a dignidade devidas.

Eu destaquei esse luminoso desempenho de Geneton x Leônidas num texto — A arte de perguntar —, publicado pelo site Observatório da Imprensa em 7 de abril de 2010, quatro dias após a exibição do programa pela GloboNews, num sábado.

Geneton, o mestre e amigo a quem eu tratava nos e-mails pelo carinhoso título de Master Asker (Mestre Perguntador), me agradeceu pelo texto com o bom humor de sempre:

Olá. Com um cabo eleitoral como você aí, considero-me eleito para o Comitê

Central do PPB, Partido dos Perguntadores do Brasil. Obrigado!

No dia seguinte, ainda mais feliz, Geneton me repassou uma mensagem do diretor da GloboNews, César Seabra, que redistribuiu pelo correio interno o meu texto do Observatório a toda a equipe da TV, com a seguinte determinação:

Caros,
o texto do link abaixo faz elogios merecidíssimos ao nosso Geneton.
Mas também nos faz um alerta precioso, sobre como conduzir uma entrevista.
É leitura obrigatória para todos – apresentadores, repórteres, editores, produtores, chefes… Aproveitem. Beijo e bom dia,
César
<http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=584FDS016>

Bolt da garotada

O incansável Geneton não desistiu do general, que ficou satisfeito com o que viu no ar, com todas as suas ideias bizarras respeitadas, como cabe numa democracia. “Devo ter recebido uns 400 telefonemas…”, disse o eufórico Leônidas a Geneton, num encontro casual num final de manhã de junho de 2014 num shopping do Leblon. Em março de 2015 Geneton pensava num lance mais ousado. Colocar o general da repressão no estúdio diante de um guerrilheiro da luta armada. O general piscou. Perguntou quem seria seu oponente. Geneton pensava no ex-guerrilheiro Cid Benjamin, um dos integrantes do grupo que sequestrou o embaixador americano Burke Elbrick em 1969. “Vou dizer uma coisa que você não sabe: o Cid foi prisioneiro meu”. O encontro épico sonhado por Geneton nunca aconteceu: Leônidas morreu três meses depois, aos 94 anos, exatamente um ano depois do encontro dos dois no shopping.

Geneton esmerou-se na arte das perguntas por que esta é a missão central do repórter: “Não faça jornalismo para jornalista. Faça para o público”, repetia ele ao público, embevecido como eu, nas duas vezes em que nos encontramos, em 2011 e 2014, no tradicional SET Universitário promovido pela Famecos (Comunicação Social) da PUC de Porto Alegre. É o mais longevo (29 anos em 2016) evento de comunicação do sul do país, atraindo gente da Argentina, Uruguai e outros países. Geneton era o Usain Bolt da garotada, que ele conquistava com a rapidez e o brilho de um raio.

Mesmo diante da crise econômica que vive a indústria da comunicação e da crise existencial que abate os jornalistas atropelados pelo desafio da tecnologia, Geneton nunca abdicou de seus princípios. Fidelidade absoluta à reportagem e ao seu ídolo maior, Joel Silveira (1918-2007), “o maior repórter brasileiro”, um sergipano autodidata que Geneton frequentava todo dia, até a sua morte, com a reverência de um fã.

Joel foi correspondente de guerra na campanha da FEB na II Guerra Mundial, escalado para cobrir o conflito em 1944 pelo dono dos Diários Associados. Assis Chateaubriand lhe deu a ordem final:

— O senhor vai para a guerra! E vou lhe pedir um favor, senhor Silveira: não me morra! Repórter não é para morrer, repórter é para mandar notícia!
Joel embarcou e voltou. Mas, contrariando as ordens de Chateaubriand, morreu um pouco.

— Fui para a Itália com 27 anos, passei dez meses e voltei com 40 anos. A guerra me tirou 13 anos — confessou o ídolo Joel ao fã Geneton, que a partir desses 20 anos de convivência e confidências, juntando fitas K7 e imagens amadoras, acabaria produzindo um documentário fundamental de 90 minutos sobre o maior repórter brasileiro: Garrafas ao mar — A víbora manda lembranças, exibido pela GloboNews em 2013.

Geneton se divertia contando as relações de seu ídolo com os magnatas da mídia. De Chateaubriand, Joel ganhou o apelido de ‘víbora’. De Adolpho Bloch, dono da revista Manchete, onde Joel publicou suas últimas reportagens, ele ganhou um bilhete. Bloch aproveitou uma viagem de seu repórter a Jerusalém e lhe pediu que colocasse o bilhete, como manda a tradição judaica, numa das frestas do Muro das Lamentações, acompanhado de um pedido. Joel cumpriu a pauta do patrão, que lhe perguntou na volta:

— E aí, Joel, fez o pedido?

— Fiz, Adolpho. Pedi para você me dar um aumento de salário…

O porta-estandarte

Um dos mantras preferidos do sergipano Joel Silveira — “Jornalismo é ver a banda passar, não é fazer parte da banda” — reproduz bem a visão que seu fã pernambucano tinha de boa parte da mídia atual, em que o jornalismo cede espaço ao partidarismo, a razão é acuada pela paixão, a isenção é atropelada pela facção. Geneton também deplorava o engajamento até de jornalistas experientes em uma ou em outra banda partidária, no calor de uma luta político-eleitoral cada vez mais acesa que rebaixou parcela da imprensa ao jogo abrutalhado de um Fla-Flu de caneladas e mútuo xingamento, tão estridente que nem dava para ouvir a banda passar.

Geneton, com a serenidade que nunca lhe permitiu desfilar nessas bandas, definia:

— Fazer jornalismo é não praticar nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulha ideológica.

Geneton via em Joel o seu ideal cada vez mais romântico do repórter que sobreviveu à ‘ditadura da objetividade’, imposta para combater pragas como subliteratura, beletrismo e academicismo, e sucumbiu à maldição dos tempos atuais, com textos áridos, chatos, anêmicos, soporíferos, iguais. “Lástima, lástima, lástima”, lamentava Geneton.

Geneton sonhava com alguém pichando os muros da cidade, proclamando: “Chega de objetividade! As notícias eu já vi na internet e na TV! Quero vivacidade, imaginação, arrebatamento, ousadia!”. No seu devaneio, Geneton achava que Joel poderia ser o porta-estandarte do resgate desse tipo de jornalismo, segundo ele exilado para a Sibéria.

— A luta por um jornalismo mais vívido, mais atraente, mais iluminado faz parte da luta por um Brasil menos medíocre. Por que não? — perguntava-se Geneton, mais uma vez.

Para sustentar sua teoria, ele usava a prática inigualável de Joel, dando como exemplo este texto em que o velho sergipano descrevia um menino morto no Bogotazo, uma revolta popular na Colômbia de 1948 que se seguiu ao assassinato de um candidato liberal da oposição, Jorge Gaitán, abatido na rua com três tiros. Os protestos, desordens e a repressão desatada em Bogotá, num único dia, deixaram um saldo de 500 mortos só na capital. Trecho do texto de Joel:

Estive no Cemitério Central de Bogotá, em afazer de repórter, para ter uma ideia aproximada do saldo de mortos deixado pela explosão popular. Nunca, em toda minha vida, nem mesmo nos meses de guerra, estive diante de mortos tão mortos. Somente aquele menino – não mais de oito anos – morrera cândido, de olhos abertos, um começo de sorriso nos lábios. Os olhos vazios fixavam o céu de chumbo. As mãos de unhas sujas e compridas pendiam sobre a laje dura – como os remos inertes de um pequeno barco. Um funcionário qualquer se aproximou, olhou por alguns segundos o menino morto, procurou sem achar alguma coisa que ele deveria trazer nos bolsos. Tentou em seguida fechar com os dedos os olhos abertos, mas não conseguiu. Abertos e limpos, os olhos do menino morto pareciam maravilhados com o que somente eles viam, com o que queriam ver para sempre.

Geneton fez a pergunta, que insinuava a resposta:

— Os jornais de hoje publicariam textos assim? O grande poeta Ferreira Gullar fez uma vez, num verso, uma pergunta que a gente bem que poderia repetir, contra o cinzento da mesmice: ‘Onde escondeste o verde clarão dos dias?’. Ah, Jornalismo: onde escondeste o clarão?

Geneton, sempre amigo e solidário, acompanhou solitário o final de vida dos últimos 20 anos da víbora da reportagem. Ninguém mais frequentava aquele apartamento deserto no sexto andar de um prédio da rua Francisco Sá, em Copacabana, habitado apenas por livros, lembranças, história e Joel Silveira.

— Estou morrendo, Geneton, estou morrendo! — suspirava o velho repórter, que já não saía de casa e já não tinha amigos. Só Geneton. Joel desprezou o tratamento de um câncer na próstata para morrer em casa em 2007, na amarga mansidão de seus 88 anos. Na companhia fiel de seu último amigo.

Um dissidente

O fim melancólico de Joel Silveira, que Geneton definia como precursor do New Journalism que fez a fama de profissionais festejados como Gay Talese e Truman Capote, explica um pouco a visão cada vez mais pessimista que Geneton tinha do próprio jornalismo na atualidade.

Geneton criava, produzia, executava, editava e apresentava suas próprias reportagens na GloboNews, com a doída convicção de que, como Joel, ele se tornava uma avis rara do jornalismo, um exemplar de dinossauro condenado à extinção imposta pelo cometa brilhante da inevitável modernidade tecnológica. Geneton parecia, agora, uma víbora que já não confiava nem na peçonha de suas perguntas, por mais venenosas que fossem.

Aqui e ali, sem alarde, Geneton deixava fluir aos poucos sua melancolia, fazia vazar sua desilusão.

Na véspera do réveillon de 2010, ele publicou em seu blog uma nota sem destaque, quase escondida, sugerindo um ‘Teste para Seleção de Jornalistas’. Era uma azeda reflexão sobre o jornalismo:

Uma sugestão aos responsáveis pelos departamentos de pessoal das empresas jornalísticas: depois de pesquisas que se arrastaram por meses, os especialistas conseguiram montar um teste infalível para seleção de candidatos a vagas nas redações.

O candidato ao emprego deve ficar imóvel durante três minutos, diante de um fiscal da empresa.

Se, ao final deste prazo, o candidato não latir nem relinchar deve ser sumariamente eliminado, porque não serve para a profissão jornalística.

Se, no entanto, o candidato emitir latidos e relinchos terá provado que é jornalista legítimo. Deve ser imediatamente contratado.

Porque mostrou estar preparado para ingressar nas redações brasileiras e produzir os jornais, revistas e programas de TV mais chatos do mundo.

Cinco anos depois, em 24 de agosto de 2015, inspirado numa definição de Winston Churchill para a União Soviética de Stálin (“É uma charada envolvida num mistério dentro de um enigma”),

Geneton voltou a filosofar com amargura em seu blog, numa nota impiedosa sob o título ‘Entrevista de Emprego’, que seria cômica, se não fosse trágica:

Se eu fosse enfrentar hoje uma entrevista de emprego e se me pedissem para dizer em trinta segundos o que penso do jornalismo, eu diria, com toda sinceridade:

‘Depois de décadas na estrada, tenho a nítida, nitidíssima sensação de que, no fim das contas, como escolha profissional, o jornalismo foi um equívoco envolvido num engano dentro de um grande erro. Mas agora é tarde para voltar atrás. Bola pra frente, então! Faz de conta que é a melhor profissão do mundo!

E é — para os que se descobrem tecnicamente incapazes de fazer alguma coisa que seja de fato útil ao avanço da humanidade!”.

Nem preciso dizer que eu seria imediatamente dispensado pelo burocrata do Departamento de Recursos Humanos encarregado de selecionar os candidatos.

Eu ouviria o aviso de dispensa sumária, me levantaria, cumprimentaria o dispensador e diria: ‘Parabéns! Você nunca tomou uma decisão tão acertada!’.

Cinco anos antes, na mesma mensagem de 8 de abril de 2010 em que me agradecia pela louvação à sua ‘arte de perguntar’, o e-mail privado de Geneton traía sua desilusão já na linha seguinte, com uma inesperada autodefinição em tom de confissão:

Pode parecer pretensão, mas acho que realmente o jornalismo se mediocrizou.

O exibicionismo toma o lugar da substância, especialmente na TV.

Modestamente, considero-me um dissidente.

O dissidente Geneton Moraes Neto, meu amigo Master Asker, nosso grande Mestre Perguntador, nos deixou de repente, envolto num manto diáfano de desencanto, deixando no ar uma última pergunta, que cabe a todos nós responder:

— Por quê?

*Luiz Cláudio Cunha é jornalista, autor de Operação Condor: o Sequestro dos Uruguaios (ed. L&PM, 2008). cunha.luizclaudio@gmail.com

Leia também:

Le Monde: Brasileiros são as vítimas do golpe tragicômico

O post Luiz Cláudio Cunha: Mestre da pergunta, Geneton morreu desencantado apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

PHA: Ao alimentar a Globo, Lula e Dilma cavaram a própria cova

Veja também:

Le Monde: Brasileiros são as vítimas do golpe tragicômico

O post PHA: Ao alimentar a Globo, Lula e Dilma cavaram a própria cova apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Frente Brasil Popular expõe objetivos do golpe em cinco parágrafos

Captura de Tela 2016-08-28 às 06.50.10

Companheira presidenta Dilma,

Seja bem-vinda à casa dos trabalhadores e trabalhadoras, sindicatos, movimentos populares, organizações da sociedade civil, partidos, coletivos de mulheres, negros e jovens, articulados na Frente Brasil Popular!

O Brasil vive um dos mais dramáticos e perigosos momentos de sua história. As velhas oligarquias, mais uma vez, violam a Constituição para tomar de assalto o poder político, estabelecendo um governo ilegítimo e usurpador.

Fraudam processo de impeachment, pois a senhora não cometeu qualquer crime de responsabilidade, para dar um golpe contra a democracia e as conquistas do povo brasileiro.
Não se trata apenas de amputar o mandato que foi conferido por 54 milhões de eleitores. O objetivo supremo é aplicar, a qualquer preço, o receituário derrotado pelo voto popular nos últimos quatro pleitos presidenciais, e anular as conquistas sociais e econômicas do povo brasileiro.

Esse impeachment forjado é um golpe contra a classe trabalhadora brasileira!

Os golpistas escolheram o atalho da ilegalidade para arrochar salários e aposentadorias, eliminar direitos trabalhistas e estender a jornada de trabalho, cortar gastos com programas sociais, reduzir verbas constitucionais para educação e saúde, diminuir investimentos públicos, privatizar empresas estatais e o pré-sal, desnacionalizar nossas terras. Enfim, querem leiloar a soberania nacional.

Os golpistas almejam reproduzir as piores deturpações do atual sistema político-eleitoral, origem dos principais escândalos de corrupção atualmente investigados, que atingem e desmoralizam todos os partidos, contaminados pelo financiamento empresarial de campanhas.

Companheira presidenta Dilma,

Os governos liderados pelo presidente Lula e pela senhora fizeram da inclusão social e da distribuição de renda instrumentos de dinamização do mercado interno e força propulsora da economia brasileira.

São marcos desta alternativa a valorização real do salário mínimo e da aposentadoria básica, a adoção de programas como o Bolsa Família, o lançamento do “Minha Casa, Minha Vida”, o Programa “Mais Médicos”, a ampliação de crédito para a classe trabalhadora, a criação de novas vagas no ensino superior e a extensão do financiamento para a agricultura familiar, entre outras conquistas.

O aumento da capacidade de consumo das famílias animou o comércio e reativou a indústria nacional. Milhões de empregos foram criados, estimulando os salários e impulsionando novos investimentos, com maior oferta de bens e serviços.

Companheira presidenta Dilma,

Nós reconhecemos as realizações destes treze anos de governo. As portas do Palácio do Planalto foram abertas a homens e mulheres trabalhadores, negros e jovens. A pauta de direitos humanos, do combate ao racismo, da questão de gênero e da cidadania da população LGBT teve avanços importantes.

O país também passou a ser protagonista da luta por um mundo pacífico e multipolar. Sem abdicar de nossos interesses comerciais junto aos países mais ricos, os governos de Lula e Dilma colaboraram na articulação de blocos regionais e intercontinentais que atuam por uma ordem planetária mais justa e democrática.

Ao longo desta jornada, no entanto, enfrentamos dificuldades e, inclusive, tivemos que lutar contra algumas medidas do governo.
O golpe em curso é a prova de que a repactuação de interesses econômicos e políticos com a elite brasileira não é mais possível no quadro de crise do capitalismo mundial.

A oposição de direita fez uma escalada de ataques sem trégua, estimulada pelos monopólios da mídia e reforçada pelo deslocamento conservador de partidos centristas para impedi-la de governar. Pautas-bomba e adiamentos legislativos fizeram parte de uma clara operação de sabotagem, capitaneada pelo gangster Eduardo Cunha.

A reação de determinados setores empresariais, paulatinamente conquistados por uma agenda baseada na destruição da arquitetura social desenhada pela Constituição de 1988, no desmanche das leis trabalhistas, no achatamento dos salários e na centralidade da renda financeira, piorou ainda mais o quadro.

A frustração e desânimo da classe trabalhadora e dos setores populares com o ajuste fiscal se refletiu em tensão na base parlamentar, o que deu margem para o avanço do bloco golpista.

As forças conservadoras não hesitaram, e fizeram uma operação de desestabilização para abrir o caminho para ruptura constitucional, que culminou no afastamento provisório de uma presidenta legitimamente eleita.

Companheira presidenta Dilma,

Os golpistas tomaram de assalto o Estado e já iniciaram a obra que querem deixar para o povo brasileiro.

A prioridade do ano é a constitucionalização de um ajuste fiscal de longo prazo, com o congelamento dos investimentos públicos em saúde e educação e desvalorização do funcionalismo público.

O corte de direitos previdenciários e trabalhistas com o fim da CLT é um objetivo central, assim como o fim da política de valorização do salário mínimo e o desmonte paulatino das políticas sociais de inclusão social.

A privatização de “tudo o que for possível”, como da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e dos Correios, é a ideologia.

Entrega das nossas riquezas naturais, das terras, dos minérios, da água e do petróleo para o capital internacional, é a estratégia.

Reorientação da nossa política externa, com a submissão aos interesses do imperialismo dos Estados Unidos, desmonte do Mercosul, enfraquecimento da UNASUL e dos BRICS, é uma obsessão.

Companheira presidenta Dilma,

Nós estamos na luta pela democracia, pela soberania nacional, por um novo modelo econômico e pelas reformas estruturais. Acreditamos que, absolvida pelos senadores, a senhora deverá retomar e colocar em um patamar superior o processo de mudanças iniciado em 2003.

A prioridade central deve ser a implementação de um programa nacional de emergência, voltado à recuperação econômica, à criação de empregos e à geração de renda, ao aumento de investimentos na produção agrícola de alimentos para o mercado doméstico e, especialmente, à reindustrialização do país.

Reconduzida ao comando do governo federal, e com base nestes eixos primordiais, defendemos que a senhora nomeie um ministério de lideranças representativas da resistência democrática e da diversidade de nosso país. A equipe deve ser formada por homens e mulheres honrados, que expressem a aliança das forças progressistas e democráticas com os movimentos populares.

Nesse cenário, a Frente Brasil Popular renova o compromisso de manter a mobilização nas ruas e pressionar as instituições para dar a sustentação necessária para que a senhora enfrente as elites para aprofundar as mudanças. Não temos ilusões sobre as dificuldades que enfrentaremos.

Companheira presidenta Dilma,

As elites brasileiras subordinadas ao capital estrangeiro declararam guerra à nossa democracia e ao nosso povo. Vamos resistir à ofensiva neoliberal no Brasil e na América Latina.

Neste quadro de radicalização da luta de classes, não resta às forças populares outro caminho senão retomar o debate sobre um projeto popular, nacional e democrático para o Brasil para orientar a militância, alinhar as forças populares, atrair os setores médios, circunscrever as alianças e contagiar as massas.

Vamos lutar por uma profunda reforma política. É urgente acabar com a submissão do sistema político ao poder econômico e reformar o Estado para garantir que os direitos previstos pela Constituição sejam realizados e acabar com a corrupção sistêmica. Adotar mecanismos que ampliem a participação direta da cidadania nas decisões políticas, assim como garantir a representação correspondente de trabalhadores, mulheres, negros, LGBTs e jovens.

Vamos lutar por uma reforma do sistema econômico. Defender medidas para regulamentar o capital financeiro, os bancos, a especulação e a remessa de lucros para o exterior. Pressionar por uma reforma tributária que reduza a carga de impostos sobre os trabalhadores e a classe média, estabelecendo ou aumentando contribuições sobre ganhos de capital, grandes propriedades e heranças, lucros e dividendos, meios luxuosos de transporte e renda financeira mais elevada. É necessário taxar o andar de cima!

Vamos lutar pela universalização da educação pública e pelo fortalecimento do Sistema Único de Saúde, o SUS. Apesar de todos os avanços desde a Constituição de 1988, é necessário avançar, porque toda família de trabalhador padece para conseguir uma escola pública para os filhos e atendimento médico de saúde para os pais.

Vamos lutar pelo desenvolvimento de ciência, tecnologia e conhecimento, como fazem as grandes potenciais mundiais, para fortalecer a indústria brasileira e emancipar o nosso país. Com o monumental desenvolvimento tecnológico da humanidade, é possível reduzir a jornada de trabalho, para que o povo tenha mais tempo com a família, para lazer e diversão.

Vamos lutar pela reforma do sistema de comunicação. Acabar com os oligopólios de comunicação que controlam corações e mentes. Democratização do sistema de radiodifusão. Constituição de um sistema verdadeiramente plural e democrático de comunicação.

Vamos lutar por uma reforma urbana. Para acabar com o déficit habitacional no país e garantir que todas as famílias de brasileiros tenham uma casa. Instituir um sistema de transporte baseado no transporte coletivo de qualidade para todos. Reestruturar o modelo de segurança pública a partir da desmilitarização do modelo policial. Assim, iniciar um processo de reorganização das cidades para enfrentar o caos urbano vivido nas grandes cidades.

Vamos lutar pela reforma agrária popular. Acabar com o latifúndio colocando limites para grandes propriedades e garantir terra a todos os homens e mulheres que trabalham no campo. Demarcar as terras dos povos indígenas e titular os territórios quilombolas. Mudar o modelo agrícola para dar prioridade à produção agrícola em pequenas e médias propriedades e produzir alimentos para o povo brasileiro, sem agrotóxicos e venenos, por meio da agroecologia.

Vamos lutar pela soberania nacional sobre nossos recursos naturais, como terras, fonte de água, minérios e petróleo. Essas riquezas devem estar a serviço de um projeto de desenvolvimento que atenda às necessidade do povo brasileiro.

Companheira presidenta Dilma,

Não descansaremos um só dia na missão de debater, dialogar e mobilizar o povo brasileiro para defender a democracia, garantir o respeito às urnas, reformar o Estado brasileiro e ampliar as conquistas dos trabalhadores no sentido da construção de uma sociedade com justiça e igualdade. Vamos à luta, companheiros e companheiras! Não ao golpe! Fora Temer!

Frente Brasil Popular — DF

Leia também:

Le Monde: Brasileiros são as vítimas do golpe tragicômico

O post Frente Brasil Popular expõe objetivos do golpe em cinco parágrafos apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Altamiro Borges: Moro achou a mulher do Cunha. Para beneficiá-la

Captura de Tela 2016-08-28 às 06.35.14

Ele fez toda a diferença

Moro achou a mulher do Cunha. Milagre!

Por Altamiro Borges, em seu blog

Na quinta-feira passada, 25, finalmente o “justiceiro” Sérgio Moro encontrou Cláudia Cruz, a mulher do correntista suíço Eduardo Cunha. Segundo matéria do Jornal do Brasil, “o juiz aceitou pedido da defesa da mulher do ex-presidente da Câmara para que fosse devolvido o passaporte dela que estava com a Justiça” por decisão do Ministério Público Federal que temia a sua fuga para o exterior.

Mas, sempre tão rigoroso, “Moro determinou que possíveis viagens realizadas por ela sejam previamente informadas oficialmente”. Só mesmo os “midiotas” para acreditarem na imparcialidade do novo ícone da TV Globo e de seus artistas amestrados — como Susana Vieira e outras celebridades golpistas.

Duas semanas antes, o mesmo Sérgio Moro havia afirmado — pela terceira vez seguida — que ainda não tinha ouvido o depoimento de Cláudia Cruz devido à dificuldade de achar a sua residência.

A Folha registrou a cena patética: “O juiz intimou a mulher do deputado afastado Eduardo Cunha a apresentar imediatamente o seu novo endereço. Na ação consta que ‘há dificuldades para a intimação pessoal da acusada Cláudia Cruz. Responsável pelo despacho, Moro diz que o endereço disponível à Justiça informado pela defesa era o da Presidência da Câmara, não mais ocupado por Cunha e Cláudia”.

Pelo jeito, agora o ágil justiceiro encontrou o endereço e já pode devolver o passaporte da mulher do correntista suíço – que muitos brasileiros não entendem porque ainda está livre e solta.

Cláudia Cruz é acusada de evasão de divisas e de lavagem de US$ 1,5 milhão oriundos dos crimes praticados por seu marido em esquemas de corrupção na Petrobras. Nesta sexta-feira (26), a Justiça manteve o bloqueio dos bens do casal.

O desembargador Ricardo Teixeira do Valle Pereira negou todos os argumentos da defesa que pregavam a imunidade da mulher do ex-presidente da Câmara Federal.

“Agentes políticos são agentes públicos para fins de improbidade e a imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição Federal diz respeito apenas aos atos inerentes ao exercício do mandato”, alegou o desembargador. Com a decisão, ficam indisponíveis “quaisquer bens ou valores titularizados pelos investigados sob guarda de instituições financeiras, tais como ações, participações em fundos de ações, letras hipotecárias ou quaisquer outros fundos de investimento”, bem como imóveis e carros de Eduardo Cunha e Cláudia Cruz. O bloqueio se estende às empresas do casal – a C3 Produções Artísticas e a C3 Atividades de Internet — que usava, no passado, o nome fantasia de “Jesus.com”.

Num gesto curioso, na semana passada os advogados de Cláudia Cruz solicitaram ao benevolente juiz Sérgio Moro que seja mantido o sigilo para os extratos do seu cartão de crédito.

Segundo a coluna de fofoca do Lauro Jardim, no jornal O Globo, “o pedido abrange, ainda, a filha do casal, Danielle Dytz da Cunha”. Os advogados também pediram o sigilo dos documentos referentes às contas no exterior – Triumph, Orion, Acona, Kopek e Netherton.

Será que o justiceiro, que adora um vazamento seletivo para a mídia amiga, vai acatar as solicitações? No caso do endereço, ele até que foi bem camarada!

Em tempo: Em fevereiro passado, a Procuradoria Geral da República defendeu manter a investigação sobre a filha de Eduardo Cunha. Segundo matéria de Márcio Falcão, na Folha, “em parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal, o procurador Rodrigo Janot defendeu que Danielle Dytz da Cunha continue sendo investigada por suspeita de que contas secretas no exterior mantidas pela família do presidente da Câmara foram abastecidas com recursos desviados da Petrobras”.

Na ocasião, a defesa da filha de Eduardo Cunha “pediu a exclusão da publicitária do inquérito”. Pelo jeito, o pedido foi acatado, já que que a Justiça e a mídia falsamente moralista não falam mais da moça.

Ainda segundo a reportagem, que parece já ter sido arquivada pela própria Folha, “a filha de Cunha aparece ligada a uma das quatro contas suspeitas de terem sido abastecidas com recursos desviados de contratos da Petrobras na África. O dinheiro teria custeado despesas pessoais. Um dos gastos foi com a universidade espanhola Esade, na qual Danielle fez MBA entre agosto de 2011 e março de 2013. Entre agosto de 2011 e 15 de fevereiro de 2012 saíram da conta US$ 119,79 mil para a instituição. A publicitária aparece como beneficiária da conta Kopek, no Banco Julius Bär, aberta em 2008 e pertencente à jornalista Cláudia Cruz, mulher de Cunha”.

Leia também:

Le Monde: Brasileiros são as vítimas do golpe tragicômico

O post Altamiro Borges: Moro achou a mulher do Cunha. Para beneficiá-la apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

CHUVA ÁCIDA 5 ANOS – Ivan Rocha

POR IVAN ROCHA

Uma das principais ferramentas para a dominação de uma classe sobre a outra é o controle dos meios de comunicação. Com o monopólio da comunicação, a classe dominante consegue pautar o debate social, influenciar a formação das opiniões, acender um debate ou esmaecer outro. Pode destruir reputações, aumentar a auto-estima ou construir “mitos”, mesmo que estes sejam crápulas da pior espécie. Mais do que tudo isso, dominar a comunicação é ter poder. E poder é dinheiro.

Todos aqueles e aquelas que tem interesse e agem na construção de uma cidade melhor, democrática de verdade, sabem a importância da democratização da comunicação. Uma verdadeira ampliação das diferentes vozes na sociedade, uma vigilância constante dos poderosos e suas falcatruas, uma divulgação digna da riquíssima cultura brasileira e humana.

Por isso, saúdo os cinco anos do Chuva Ácida. Um site que tem um compromisso com a democracia, com a pluralidade e com o pensamento crítico. Que, na falta de um jornal que faça isso, atua na vigilância sobre os poderosos e governantes que tentam fazer da cidade um balcão de negócios.

O Chuva Ácida entrou na briga ao lado do povo e contra interesses particulares em diversas causas, como a Cota 40, a LOT, o transporte público e as ciclovias. Também arrumou brigas com vereadores e com a prefeitura, sempre apontando questões que eles queriam deixar longe holofotes. Por isso, o Chuva Ácida é um coletivo que diariamente reafirma seu compromisso, como nós do PSOL, ao lado do povo.

Parabéns e vida longa ao Chuva Ácida.

Ivan Rocha é tecnólogo
em marketing e trabalha
na empresa
Aqui Tem Promoção.
https://www.facebook.com/ivanrocha50?fref=ts

Publicação de: Chuva Ácida

Jorge Viana desafia senadores a apontar ato ilícito de Dilma: “Estamos vivendo um jogo de cartas marcadas”

Sugestão de Gerson Carneiro

Veja também:

Boff: Gangue de corruptos condena inocente

O post Jorge Viana desafia senadores a apontar ato ilícito de Dilma: “Estamos vivendo um jogo de cartas marcadas” apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

Le Monde: Brasileiros são as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia que é o golpe contra Dilma

Captura de Tela 2016-08-27 às 12.50.37

Queda de Dilma ou é golpe de Estado ou é farsa

no diário francês Le Monde, via UOL

“Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.”

Dilma Rousseff, a primeira presidente mulher do Brasil, está vivendo seus últimos dias no comando do Estado. Praticamente não há mais dúvidas sobre o resultado do julgamento de sua destituição, iniciado na quinta-feira (25) no Senado. A menos que aconteça uma reviravolta, a sucessora do adorado presidente Lula (2003-2010), que foi afastada do cargo em maio, será tirada definitivamente do poder no dia 30 ou 31 de agosto.

Dilma Rousseff cometeu erros políticos, econômicos e estratégicos. Mas sua expulsão, motivada por peripécias contábeis às quais ela recorreu bem como muitos outros presidentes, não ficará para a posteridade como um episódio glorioso da jovem democracia brasileira.

Para descrever o processo em andamento, seus partidários dizem que esse foi um “crime perfeito”. O impeachment, previsto pela Constituição brasileira, tem toda a roupagem da legitimidade. De fato, ninguém veio tirar Dilma Rousseff, reeleita em 2014, usando baionetas. A própria ex-guerrilheira usou de todos os recursos legais para se defender, em vão.

Impopular e desajeitada, Dilma Rousseff acredita estar sendo vítima de um “golpe de Estado” fomentado por seus adversários, pela mídia, e em especial pela rede Globo de televisão, que atende a uma elite econômica preocupada em preservar seus interesses supostamente ameaçados pela sede de igualitarismo de seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT).

Inimiga número um de parte dos brasileiros

Essa guerra de poder aconteceu tendo como pano de fundo uma revolta social. Após os “anos felizes” de prosperidade econômica, de avanços sociais e de recuo da pobreza durante os dois mandatos de Lula, em 2013 veio o tempo das reivindicações da população. O acesso ao consumo, a organização da Copa do Mundo e das Olimpíadas não conseguiam mais satisfazer o “povo”, que queria mais do que “pão e circo”. Ele queria escolas, hospitais e uma polícia confiável.

O escândalo de corrupção em grande escala ligado ao grupo petroleiro Petrobras foi a gota d’água para um país maltratado por uma crise econômica sem precedentes. Profundamente angustiados, parte dos brasileiros fizeram do juiz Sérgio Moro, encarregado da operação “Lava Jato”, seu herói, e da presidente sua inimiga número um.

A ironia quis que a corrupção fizesse milhões de brasileiros saírem para as ruas nos últimos meses, mas que não fosse ela a causa da queda de Dilma Rousseff. Pior: os próprios arquitetos de sua derrocada não são santos.

O homem que deu início ao processo de impeachment, Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, é acusado de corrupção e de lavagem de dinheiro. A presidente do Brasil está sendo julgada por um Senado que tem um terço de seus representantes, segundo o site Congresso em Foco, como alvos de processos criminais. Ela será substituída por seu vice-presidente, Michel Temer, embora este seja considerado inelegível durante oito anos por ter ultrapassado o limite permitido de doações de campanha.

O braço direito de Temer, Romero Jucá, ex-ministro do Planejamento do governo interino, foi desmascarado em maio por uma escuta telefônica feita em março na qual ele defendia explicitamente uma “mudança de governo” para barrar a operação “Lava Jato”.

Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros.

Tradutor: UOL

Leia também:

Boff: Bando de corruptos condena inocente

O post Le Monde: Brasileiros são as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia que é o golpe contra Dilma apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

New York Times: Ratos golpeiam Dilma

dilma charge nos nyt

Charge no New York Times dá a exata dimensão da desmoralização internacional do golpe

Do Facebook do senador Lindbergh Farias (PT-RJ), dica de Luana Tonelentino 

O post New York Times: Ratos golpeiam Dilma apareceu primeiro em Viomundo – O que você não vê na mídia.

Publicação de: Viomundo

© 2016 bita brasil

Theme by Anders NorénUp ↑