Lava Jato se desmoralizou por só investigar e prender petistas

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A Operação Lava Jato entrará para a história como uma praga, como flagelo que afundou um país que ia bem na economia, na democracia e no equacionamento de seus problemas sociais e que mergulhou no caos político, econômico e institucional por moto próprio.

Ainda não é possível enxergar quanto de ruim será dito contra essa iniciativa ditatorial, farsesca, vigarista mesmo, que, para atingir objetivos eminentemente políticos, destruiu a economia, soterrou a democracia e desmoralizou as instituições.

Mas será. Todos enxergarão isso no espaço de alguns poucos anos, após a poeira amainar.

Essa quadrilha formada por agentes públicos, que infringe a lei e o Estado de Direito com fins escancaradamente políticos, antes mesmo de o tempo se assenhorar da razão já está sendo questionada por seus excessos menores.

E as vozes dos questionadores estão longe de ser oriundas da esquerda, alvo prioritário da guerra política em curso no país. Antiesquerdistas hidrófobos como um Reinaldo Azevedo (colunista da Folha de São Paulo e da revista Veja) estremecem com os erros cômicos da Lava Jato.

Na sexta-feira retrasada, Azevedo – mau caráter, mas inteligente – quase teve uma síncope ao ver a pataquada da denúncia do MP contra Lula. Seu artigo na Folha deixava pingar ódio contra a burrice do procurador midiático Deltan Dallagnol.

Azevedo não estava preocupado com o Estado de Direito, mas com o fato de que uma denúncia tão fraca, que só tinha tabelas em power point em lugar de evidências e provas, desmoraliza a campanha para impedir Lula de disputar a Presidência em 2018.

No último dia útil da semana recém-terminada (23/9), Azevedo voltou à carga.

O mais notório petefóbico do país criticou a premissa inacreditável do juiz Sergio Moro, que diz que, ao responder a processo, Lula terá a chance de provar que não é culpado e, claro, criticou a prisão sem sentido de Guido Mantega.

Palavras do colunista:

“(…) aí se está diante de um entendimento torto do que é o direito numa democracia. Caberá sempre ao acusador o ônus da prova. O acusado não tem como produzir prova negativa (…)”, diz Azevedo sobre Moro.

“(…) Prisão e soltura nada têm a ver com Justiça e cumprimento da lei. Chanchada. Força-tarefa e juiz quiseram dar um recado: ‘Mandamos soltar e prender quando nos der na telha. São todos criminosos’ (…)”, diz o rottweiler sobre a prisão de Mantega.

A OAB vem criticando a Lava Jato, até setores fortemente antipetistas da mídia vêm criticando a Lava Jato, o STF criticou a Lava Jato.

Neste domingo, em uma semana o jornal Folha de São Paulo critica, pela segunda vez, o vedetismo da Lava Jato, mas, assim como Azevedo, como a OAB, como o STF e tantos outros, critica sob premissa errada.

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Imprensa e colunistas antipetistas, a OAB (comandada por um antipetista) e até o STF (majoritariamente antipetista) dizem que os erros e abusos da Lava Jato a estão desmoralizando, mas estão enganados.

O que desmoraliza a Lava Jato é outra coisa.

Além do presidente da República interino, Michel Temer (PMDB), ao menos sete ministros do novo governo tiveram seus nomes citados nas investigações da Operação Lava Jato.

Temer é citado como beneficiário nos escândalos de corrupção que são alvo da força-tarefa.

Veja, abaixo, o que pesa nas investigações da Lava Jato contra o “presidente” Michel Temer e seus “ministros” e “ex-ministros”:

Romero Jucá (PMDB-RR) – Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (defenestrado)

O senador Romero Jucá, que vai assumir o Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, está na lista de investigados que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no início de 2015.

Jucá foi citado por delatores como beneficiário de um esquema de desvio na estatal. Em depoimento à Polícia Federal em fevereiro deste ano, o senador admitiu que pediu a Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, doações para a campanha de seu filho, Rodrigo Jucá (PMDB), que foi candidato a vice-governador de Roraima.

Em depoimento de delação premiada, Pessoa afirmou ter dado R$ 1,5 milhão ao PMDB de Roraima, em 2014. O empreiteiro disse, ainda, que entendeu que o pagamento estava relacionado à contratação da UTC, pela Eletronuclear, para obras da usina nuclear de Angra 3. Romero Jucá nega e atribui a doação ao “trabalho que desempenha como senador”.

Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) – Secretaria de Governo

Mensagens apreendidas pela Operação Lava Jato sugerem que o ex-ministro de Lula, ex-vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal e ex-deputado federal Geddel Vieira Lima usou sua influência para atuar em favor dos interesses da construtora OAS.

Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) – Turismo

Ministro do Turismo do governo Dilma, Alves volta à pasta menos de dois meses depois de deixar o cargo. O peemedebista é suspeito de receber propina do dono da OAS, Léo Pinheiro, em troca de favores no Legislativo.

A investigação é baseada em mensagens apreendidas no celular de Pinheiro. Em algumas delas, o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cobra Pinheiro por doações à campanha de Alves ao governo do Rio Grande do Norte. Para Janot, os pagamentos são, na verdade, propina.

Mendonça Filho, Raul Jungmann, Bruno Araújo e Ricardo Barros

Os deputados Mendonça Filho (DEM-PE), Raul Jungmann (PPS-PE), Bruno Araújo (PSDB-PE) e Ricardo Barros (PP-PR), que vão assumir os ministérios da Educação, Defesa, Cidades e Saúde, respectivamente, são citados na famigerada lista da Odebrecht apreendida pela Polícia Federal na sede da construtora, em março, durante a 23ª fase da Lava Jato.

A lista foi tornada pública e depois colocada sob sigilo, mas os investigadores ainda não sabem se os nomes que constam nela receberam doações legais, ilegais envolvendo recebimento de propina ou dinheiro de caixa dois.

Ora, cadê a Lava Jato? Não prendeu ninguém. E alguns dos acusados nem têm mais foro privilegiado, como Eduardo Cunha, que atrapalha fortemente as investigações. Sua mulher, por exemplo, que é lícito supor que o ajudava a ocultar provas e coagir testemunhas, foi sumariamente preservada por Moro.

E há uma miríade de figuras menores que poderiam denunciar tucanos e peemedebês sob delação premiada e que não são incomodadas porque não interessam ao antipetismo de procuradores, policiais federais, juízes…

O antipetismo da Lava Jato é tão escrachado e visível que até já virou piada para humoristas. O vídeo do grupo Porta dos Fundos intitulado “Delação” já tem cerca de sete milhões de visualizações no You tube.

 

Vale lembrar que o Porta dos Fundos se notabilizou por produzir incontáveis vídeos atacando Dilma e o PT.

Porém, a Lava Jato é tão escrachadamente facciosa, tão claramente pensada para focar única e exclusivamente na suposta “corrupção do PT” que não há escapatória.

Mídia, OAB, STF e os cães sarnentos que escrevem colunas e editoriais mentirosos criticam a Lava Jato porque acham que ela perde eficácia quando se desmoraliza fazendo denúncias escandalosamente fracas e prisões escandalosamente arbitrárias, mas estão errados.

A Lava Jato se desmoraliza porque é escandalosamente visível que só existe para atacar o PT, já que não produz nada contra mais nenhum grupo político, apesar de que há corrupção aos montes em todos os partidos.

Publicação de: Blog da Cidadania

Derrotado por 13 a 1, desembargador Favreto diz que Moro foi negligente: “Evocar teoria do estado de exceção pode ser temerária”

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FREIOS DEFINIDOS

“Lava jato” não dá aval para juiz descumprir lei, diz desembargador do TRF-4

Por Brenno Grillo. no Consultor Jurídico

É no mínimo negligente o juiz que torna públicas conversas captadas entre investigados, inclusive envolvendo pessoas com prerrogativa de foro, pois o interesse público e a tentativa de evitar obstrução à Justiça não são motivos suficientes para permitir esse tipo de comportamento.

Assim entendeu o desembargador federal Rogério Favreto, o único membro da Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região a votar pela abertura de processo disciplinar contra o juiz Sergio Moro.

Na quinta-feira (22/9), o colegiado considerou que a operação “lava jato” não precisa seguir as regras processuais comuns, por enfrentar fatos novos ao Direito.

Por 13 votos a 1, a maioria considerou “incensurável” a conduta de Moro por ter divulgado conversa entre os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o acórdão, as investigações apresentam “situações inéditas, que escaparão ao regramento genérico, destinado aos casos comuns”.

Ao assinar o voto divergente, Favreto declarou que “o Poder Judiciário deve deferência aos dispositivos legais e constitucionais, sobretudo naquilo em que consagram direitos e garantias fundamentais.”

“Sua não observância em domínio tão delicado como o Direito Penal, evocando a teoria do estado de exceção, pode ser temerária se feita por magistrado sem os mesmos compromissos democráticos do eminente relator e dos demais membros desta corte”, escreveu.

Para ele, Moro “foi no mínimo negligente quanto às consequências político­-sociais de sua decisão”.

Favreto diz que o processo disciplinar seria necessário para analisar os atos do juiz, diante da “imparcialidade duvidosa do magistrado”, e porque divulgar o grampo indica afronta às previsões do Estatuto da Magistratura e do Código de Ética da Magistratura.

Enquanto a maioria da Corte Especial disse que a “orientação clara e segura a respeito dos limites do sigilo das comunicações telefônicas” só surgiu depois que oSupremo Tribunal Federal determinou a retirada das interceptações entre Lula e Dilma, o desembargador disse que a lei “veda expressamente a divulgação do teor de diálogos telefônicos interceptados”.

“Ante o regramento explícito, não cabe evocar o interesse público ou a prevenção de obstrução à justiça como fundamentos para publicizar conversas captadas”, diz Favreto.

Situação inédita


O relator, desembargador federal Rômulo Pizzolatti, não viu indício de infração disciplinar.

“É sabido que os processos e investigações criminais decorrentes da chamada operação ‘lava jato’, sob a direção do magistrado representado, constituem caso inédito (único, excepcional) no Direito brasileiro. Em tais condições, neles haverá situações inéditas, que escaparão ao regramento genérico, destinado aos casos comuns.”

Já Favreto vê descumprimento à Resolução 59 do Conselho Nacional de Justiça.

“Não será permitido ao magistrado e ao servidor fornecer quaisquer informações, direta ou indiretamente, a terceiros ou a órgão de comunicação social, de elementos contidos em processos ou inquéritos sigilosos, sob pena de legislação nos termos da legislação pertinente”, determina o dispositivo.

O desembargador também ressaltou que o levantamento do sigilo dos áudios, alguns obtidos depois de uma decisão do próprio Moro que interrompia as gravações, foi feito sem o devido contraditório e teve “consequências sérias no cenário político brasileiro”.

“Cabe acentuar, ainda, que o levantamento do sigilo contemplou conversas que não guardam nenhuma relação com a investigação criminal, expondo à execração pública não apenas o investigado, mas também terceiras pessoas.”

Favreto também cita como motivo para divergir do resto da corte a decisão do Supremo, que considerou ilegal o levantamento do sigilo.

À época, o relator do caso na corte, ministro Teori Zavascki citou a incompetência do juízo da 13ª Vara Federal para analisar o material por haver ligação envolvendo a então presidente da República Dilma Rousseff.

“A divulgação pública das conversações telefônicas interceptadas, nas circunstâncias em que ocorreu, comprometeu o direito fundamental à garantia de sigilo, que tem assento constitucional […] A lei de regência (Lei 9.269/1996), além de vedar expressamente a divulgação de qualquer conversação interceptada (art. 8º), determina a inutilização das gravações que não interessem à investigação criminal (art. 9º). Não há como conceber, portanto, a divulgação pública das conversações do modo como se operou, especialmente daquelas que sequer têm relação com o objeto da investigação criminal”, argumentou Teori.

O desembargador divergente alegou que fatores externos ao processo podem ter influenciado na decisão de Moro, como “índole política”. Por isso ele considerou necessário abrir procedimento disciplinar.

Rogério Favreto reconheceu a importância das investigações sobre os desvios em contratos na Petrobras e a dedicação de Moro sobre o caso, mas ressaltou que fazer um bom trabalho não imuniza ninguém.

“Não pode o Poder Judiciário assumir postura persecutória. O Poder Judiciário ‘não é sócio do Ministério Público e, muito menos, membro da Polícia Federal’, bem anotou o Ministro Gilmar Mendes no precedente citado”.

Justificativa


Em resposta ao Supremo, Moro havia declarado que o ato de divulgar as conversas poderia “ser considerado incorreto”, mas disse que em nenhum momento teve objetivo de “gerar fato político-partidário, polêmicas ou conflitos, algo estranho à função jurisdicional”.

A intenção foi simplesmente, de acordo com o juiz, atender pedido do Ministério Público Federal e dar publicidade ao processo e “especialmente a condutas relevantes do ponto de vista jurídico e criminal do investigado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

Numa ligação, Dilma disse que enviaria um “termo de posse” para o ex-presidente, que deveria ser usado “em caso de necessidade”.

O petista foi efetivamente nomeado chefe da Casa Civil dias depois, mas a posse foi suspensa pelo ministro Gilmar Mendes, do STF. Para ele, a medida tinha como objetivo apenas fazer com que eventual denúncia contra Lula fosse julgada pelo Supremo.

Moro também já autorizou grampo do escritório de Roberto Teixeira, advogado do ex-presidente, que conta com 25 profissionais, alegando que era preciso confirmar o nível de relação entre os dois, apesar de Teixeira advogar para Lula desde a década de 1980.

Depois, ele argumentou que soube do episódio apenas depois que a ConJur noticiou o fato. O juiz disse que a informação “não foi percebida pelo Juízo ou pela Secretaria do Juízo até as referidas notícias extravagantes”.

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Publicação de: Viomundo

André Singer: Chegou a hora de barrar o arbítrio

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É hora de barrar o arbítrio

André Singer, na Folha

O juiz Sergio Moro colocou nesta quinta (22) a gota d’água no copo da escalada de arbítrio em curso no país. Curiosamente, o fez ao liberar, por razões humanitárias, o ex-ministro Guido Mantega depois de algumas horas na Polícia Federal de São Paulo, e não ao mandá-lo para a prisão por cinco dias ou dez dias, como havia decidido de início. Pois, se era possível soltá-lo, não havia necessidade de prendê-lo, e a arbitrariedade da detenção ficou evidente.

Não sou eu quem o diz, mas o insuspeito de petismo Reinaldo Azevedo. “Força-tarefa e juiz quiseram dar um recado: ‘Mandamos soltar e prender quando nos der na telha’”, escreveu o colunista. O recado foi entendido.

A justificativa de Moro revelou-se tão frágil que, desta vez, ninguém engoliu. “Considerando o fato de que as buscas nos endereços dos investigados já se iniciaram (…) reputo, no momento, esvaziados os riscos de interferência da colheita de provas”, escreveu no despacho de soltura. Em outras palavras, bastava determinar a busca e apreensão, não precisava prender o investigado.

Cabe lembrar que, pela terceira vez, Moro apresenta explicações mal ajambradas para decisões gravíssimas. Depois da também desnecessária condução coercitiva de Lula, em 4 de março passado, emitiu nota na qual “lamentava” que as diligências tivessem levado a confrontos, “exatamente o que se pretendia evitar”. Determinou a coerção para evitar conflitos? Quem acredita?

Cinco dias mais tarde, Moro divulgou as famosas escutas telefônicas entre o ex-presidente Lula e a então presidente Dilma Rousseff. Instado pela AGU a se manifestar a respeito do assunto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki afirmou que a divulgação das fitas “comprometeu o direito fundamental à garantia de sigilo” e que era “descabida a invocação de interesse público da divulgação” feita por Moro. Em resposta, o juiz curitibano solicitou “escusas” ao STF e explicou que não tivera intenção de causar “polêmicas”. Dá para acreditar?

Mas nesses episódios houve mobilização nas ruas para apoiar as atitudes de Moro. O objetivo era sustentar o impeachment, cuja aceitação foi aprovada pela Câmara um mês depois com base nas manifestações provocadas pelas “inocentes” derrapadas do juiz. Os atropelos constitucionais foram varridos para baixo do tapete.

Agora parece que Moro ultrapassou o limite do aceitável, mesmo para corações liberais e conservadores. Por isso, espero que o episódio Mantega represente um corte. A opinião pública viu a face do arbítrio. Se ficar conivente com ele, prestará contas à história. Quando um processo autoritário se explicita, todo mundo sabe como começa, mas ninguém sabe como termina.

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Vitor Teixeira: Questão de convicção

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PSDB recebeu mais doações que PT de beneficiários do Bolsa Família; PTB e PMDB lideram

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Né?

PMDB lidera lista de recebimento de doações eleitorais de beneficiários do Bolsa Família

Ao todo, a sigla já recebeu R$ 410.741,15 em dinheiro para candidatos a prefeito ou vereador de pessoas cadastradas no programa

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo, 22 Setembro 2016 | 18h46

sugerido por Roberto Andrade, via Facebook

BRASÍLIA — O PMDB é o partido que mais recebeu doações financeiras de beneficiários do Bolsa Família para as campanhas eleitorais deste ano, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados nesta quinta-feira. Ao todo, a sigla já recebeu R$ 410.741,15 em dinheiro para candidatos a prefeito ou vereador de pessoas cadastradas no programa. Em segundo lugar, está o PSD (R$ 326.385,63), seguido pelo PT (R$ 321.340,99), PSDB (R$ 296.124,07) e PP (R$ 268.712,64). Beneficiários do programa social doaram, ao todo, mais de R$ 5 milhões em dinheiro até o início desta semana.

O presidente do TSE, Gilmar Mendes, afirmou que “tudo indica” que as doações de cerca de 16 mil beneficiários do Bolsa Família para candidatos configuram fraude e crime eleitoral. Hoje, Gilmar e o ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, confirmaram os dados do Tribunal de Contas da União (TCU) de que cadastrados no programa doaram aproximadamente R$ 16 milhões para campanhas de prefeitos e vereadores em todo o País até a última segunda-feira, 19. O montante total também leva em consideração as doações estimadas, quando são feitas em forma de prestação de serviço ou doação de materiais.

Cerca de R$ 11 milhões do valor total são oriundos de doações de estimadas. Nesta categoria, é o PTB quem aparece no topo da lista, com R$ 1,8 milhão. Depois, o PMDB aparece novamente, em segundo lugar, com R$ 1.517.122,36; seguido pelo PSD (R$ 1.109.949,30); PSDB (R$ 1.008.855,00); e pelo PT (R$ 914.233,14). Como as investigações ainda estão em andamento, o TSE informou apenas os cinco primeiros partidos e optou por não divulgar a lista dos doadores. A instituição considera que alguns candidatos podem ter utilizado o CPF de pessoas sem autorização para disfarçar transferências de caixa dois.

Segundo o presidente do TSE, o candidato só será responsabilizado se ficar comprovado que ele estimulou a doação. Também será preciso verificar se o beneficiário do Bolsa Família tinha conhecimento das doações. “Ou essa pessoa não deveria estar recebendo o Bolsa Família ou ocorre o fenômeno que chamamos de ‘caça CPF’, que é a ideia de se manipular o CPF de alguém que está inocente nesta relação. Mas isso deixa uma nuvem não muito transparente sobre esse modelo de doação que estamos desenvolvendo”, afirmou. Todos os dados já foram repassados para o Ministério Público Eleitoral e juízes eleitorais.

Confira a lista dos cinco partidos que mais receberam doações de beneficiários do Bolsa Família, somando as doações financeiras e as doações estimadas:

PTB – R$ 1.767.262,33
PMDB – R$ 1.517.122,36
PSD – R$ 1.109.949,30
PSDB – R$ 1.008.855,00
PT – R$ 914.233,14

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Intelectuais perguntam: Quem vai limitar arbitrariedades da Lava Jato?

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Nota pública em defesa da ordem constitucional, em desagravo a Guido Mantega

A ordem pública brasileira vem sendo ameaçada sistematicamente por aqueles que deveriam protegê-la.

O direito ao protesto coletivo vem sendo coibido por intervenções provocativas, abusivas e desproporcionais por parte da Polícia Militar, como se a velha polícia política das ditaduras estivesse de novo às soltas.

Ano a ano, cidadãos brasileiros invisíveis são conduzidos coercitivamente a depoimentos – ou algo pior — sem serem intimados pela justiça.

Quando o espetáculo da acusação sem prova e da condução sem intimação é exibido deliberadamente por agentes da lei, na persecução de objetivos estranhos à ordem jurídica e da publicidade sem limites, a cultura da arbitrariedade expõe suas entranhas.

O caráter republicano e isento da Operação Lava-Jato já foi posto à prova, e reprovado, inúmeras vezes.

Há seis meses, o evento da condução coercitiva do cidadão Luís Inácio Lula da Silva, que não resistiu a uma intimação judicial porque sequer foi intimado, parecia marcar o auge na exposição pública da arbitrariedade dos que o perseguiam, levando a uma reação firme, e republicana, de uma sociedade que já escolheu em que regime de garantias civis e políticas quer viver.

O episódio da prisão do professor e economista Guido Mantega levou o arbítrio a novos limites.

A fragilidade da acusação e a desproporção da ação tornaram-se ainda mais evidentes por causa de sua coincidência com a presença do acusado em um centro cirúrgico, acompanhando a esposa enferma.

O professor e economista Guido Mantega deu mostras de dedicar-se à coisa pública de modo republicano.

É um homem público de endereço conhecido e não representa qualquer ameaça à ordem pública.

O mesmo não pode ser dito de seus perseguidores.

Se fosse necessário prender Guido Mantega para recolher possíveis provas, por que foi possível soltá-lo tão rapidamente depois que a sociedade conheceu o absurdo de sua prisão, sob alegação de que as diligências para coleta de documentos não seriam prejudicadas se fosse solto?

Se não seriam, por que foi expedida a ordem original de prisão desde logo?

Como todo brasileiro, Guido Mantega merece o respeito de suas garantias constitucionais.

O combate à corrupção não pode ser um pretexto para corromper a Constituição, autorizar a perseguição política e inflar vaidades de juízes, procuradores e policiais.

Quem vai limitar a arbitrariedade da força-tarefa da Operação Lava-Jato e do juiz Sérgio Moro?

É a pergunta que fazem os cidadãos que, abaixo, subscrevem este documento em defesa da ordem constitucional e contra mais um golpe às instituições democráticas.

Luiz Gonzaga Belluzzo – Professor Titular de Economia — UNICAMP


Marilena Chauí — Professora Titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, USP


Maria da Conceição Tavares — Professora emérita da UFRJ e da Unicamp

Luís Carlos Bresser-Pereira — Professor Titular de Economia – FGV


Tereza Campello – Economista e Ex-Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome da presidenta Dilma Rousseff


Eleonora Menicucci Oliveira — Profa Titular de Sociologia da Unifesp e ex-Ministra de Politicas para as Mulheres do governo Dilma Rousseff


Pedro Paulo Zahluth Bastos — Professor Associado (Livre Docente) – Economia — UNICAMP


Theotonio dos Santos — Professor Visitante da UERJ e Professor Emérito da UFF


Ladislau Dowbor – Professor Titular de Economia — PUC-SP


Eleuterio F. S. Prado — Professor Titular de Economia da USP


Walquiria Domingues Leão Rêgo — Socióloga e professora titular da Unicamp


Gilberto Maringoni — Professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC)


Hermano de Medeiros Ferreira Tavares — Professor Titular (aposentado) — Faculdade de Engenharia Elétrica – e ex-reitor da Unicamp


Nelson Rodrigues dos Santos – Professor Titular – Faculdade de Ciências Médicas — UNICAMP


Luiz Carlos de Freitas — professor titular da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas — UNICAMP


Marcio Pochmann – Professor IE/Unicamp
Itala M. Loffredo D’Ottaviano — Professor Titular em Lógica, UNICAMP


João Quartim de Moraes – Professor Titular de Filosofia – UNICAMP


Joaquim Palhares — Carta Maior


Lena Lavinas – Professora Titular de Economia (UFRJ)


Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – Professora Titular da UNB


Antonio Prado – Secretário Executivo Adjunto da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL)


Magda Barros Biavaschi – advogada, ex-Desembargadora ap. TRT4.


Antonio Correa de Lacerda – Economista – Professor PUC-SP


Matías Vernengo — Professor of Economics, Bucknell U. — Co-editor, Review of Keynesian Economics


Rosa Maria Marques, professora titular do Departamento de Economia e do Programa de Estudos Pós-graduados em Economia Política da PUCSP e presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde


Sebastião Velasco e Cruz — Professor Titular do Departamento de Ciência Política da Unicamp


Wladimir Pomar – Jornalista e escritor


Armando Boito Jr. – Professor do Departamento de Ciência Política – Unicamp


Laurindo Lalo Leal Filho — Professor da ECA/USP


Maria Rita Loureiro — Professora titular da FEA/USP e FGV/SP


Alfredo Saad Filho – SOAS, University of London


Maryse Fahri – Professora IE/Unicamp


Giorgio Romano Schutte — Professor de Relações Internacionais e Economia da Universidade Federal do ABC (UFABC)


Gastão Wagner de Sousa Campos — Professor Livre-Docente, Departamento de Medicina Preventiva e Social, Universidade Estadual de Campinas


Frederico Mazzucchelli – Professor IE/Unicamp 


Nelson Marconi – Economista – FGV


Carlos Aguiar de Medeiros – Professor associado da Universidade Federal do Rio de Janeiro


Clemente Ganz Lucio – Economista


Ricardo Musse — Departamento de sociologia da USP


Valter Pomar — Professor da UFABC


Carlos Berriel – Professor do IEL/Unicamp


Fernando Nogueira da Costa – Professor IE – Unicamp


Vanessa Petrelli Corrêa — Professora Titular IE – UFU 


Hugo Gama Cerqueira — Professor do Cedeplar, Universidade Federal de Minas Gerais


Rubem Murilo Leão Rêgo — Sociólogo e professor da Unicamp


Wolfgang Leo Maar — Professor titular da UFSCar


Tatiana Berringer — Professora Adjunta da Universidade Federal do ABC


Márcia Mendonça — Instituto de Estudos da Linguagem — IEL – Unicamp


Adriano Codato – Cientista Político – Professor UFPR


Cristina Fróes de Borja Reis — Professora adjunta da Universidade Federal do ABC


Daniela Magalhães Prates – Professora do IE/Unicamp


Hildete Pereira de Melo — Professora associada da UFF


Claudio Salm – Professor de Economia UFRJ


Marcelo Milan — Professor de Economia e Relações Internacionais, UFRGS


Rubens Sawaya — Economista, professor da PUCSP


Anna Christina Bentes — Departamento de Lingüística, Instituto de Estudos da Linguagem — UNICAMP


Humberto Miranda — Professor do IE e Pesquisador do CEDE/UNICAMP


Reginaldo Moraes – Professor de Ciência Política — Unicamp


Eduardo Fagnani – Professor IE/Unicamp


Alcides Goularti Filho — UNESC/CNPq


Daniela S. Gorayeb – Professora Facamp


Marcus Ianoni Ciência Política — UFF


Adriana Nunes Ferreira — Professora do IE/Unicamp


Francisco Luiz C. Lopreato — Professor IE/Unicamp


José Eduardo Roselino – Professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR)


Guilherme Mello – Professor IE/Unicamp


Marco Antonio Martins da Rocha – IE/Unicamp


Alexandre de Freitas Barbosa — Professor de História Econômica e Economia Brasileira – Instituto de Estudos Brasileiros — Universidade de São Paulo (IEB/USP)


Luiz Fernando de Paula — Professor titular da FCE/UERJ 


Lauro Mattei — Professor de Economia da UFSC


Elza Cotrim Soares – Professora Titular – Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP


Fernando Sarti — Professor do Instituto de Economia da UNICAMP


Jorge Felix — Professor PUC-SP


Julia de Medeiros Braga — Professora UFF


Rosangela Ballini – Professora IE – Unicamp


Maria Fernanda Cardoso de Melo — Professora da Facamp


André Biancarelli – Professor do IE/Unicamp


Raquel Rangel de Meireles Guimarães – Professora da UFPR


Cláudia Tessari — Professora, Universidade Federal de São Paulo


Ricardo de Medeiros Carneiro – Professor IE/Unicamp


Antonio José de Almeida Meirelles — Professor Titular da Faculdade de Engenharia de Alimentos/UNICAMP


Pedro Rossi – Economista e Professor – UNICAMP


Fernando Augusto Mansor de Mattos – Professor UFF


Flávia Vinhaes — Professora de Economia — UCAM e técnica IBGE


Ceci Juruá – Economista 


Walter Belik — Professor IE / Unicamp


Pedro Vieira — Professor do Programa de Pós-Graduação em Rel Internacionais-UFSC


Nádia Farage — Professora colaboradora DH-IFCH, Unicamp.


Carlos Pinkusfeld Bastos – Professor IE – UFRJ


Waldir Quadros – Professor IE/Unicamp


Simone Deos — Professora, IE-Unicamp 


Fábio Eduardo Iaderozza — Professor de Economia da Facamp e do Centro de Economia e Administração da PUC Campinas (CEA)


Rodrigo Vianna — Jornalista e historiador (USP)


Ana Luíza Matos de Oliveira – Doutoranda IE/Unicamp


Adriana Aparecida Quartarolla – Doutoranda em Linguística na UNICAMP e professora de Língua Portuguesa na FACAMP


Marcelo Manzano – Professor FACAMP


Lygia Sabbag Fares Gibb – Professora universitária e doutoranda IE/Unicamp


Beatriz Freire Bertasso – Professora Facamp


Darci Frigo, advogado — Terra de Direitos


Artur Scavone – Jornalista


Benedito Ferraro — PUC-Campinas


Sávio Machado Cavalcante – Professor de Sociologia (IFCH/Unicamp)


Juliana Pinto de Moura Cajueiro – Facamp


Roberta Gurgel Azzi – professora


Miguel Henrique Russo — professor

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Publicação de: Viomundo

A dura aprendizagem de Glen Greenwald sobre a mídia brasileira

da Redação

Logo depois da eleição presidencial de 2006, o repórter Rodrigo Vianna foi informado pela TV Globo de que não teria seu contrato renovado.

O jornalista sentou-se diante de um computador da redação de São Paulo para escrever uma carta de despedida. Um preposto dos irmãos Marinho pretendia expulsá-lo às pressas, mesmo tendo Rodrigo uma longa carreira de bons serviços prestados à emissora e da excelente relação pessoal com repórteres, editores e colegas em geral.

Hoje apresentador do Bom Dia Brasil, Chico Pinheiro interveio, sugerindo ao preposto que permitisse a despedida.

Aquela carta se tornou pública e continha afirmações graves: Rodrigo denunciou que, na campanha presidencial de 2006, a Globo não tinha se comportado de maneira isonômica com os candidatos. Tentou prejudicar o então presidente Lula, que disputava a reeleição.

Para reler a carta, clique aqui.

A Globo respondeu oficialmente à carta de Rodrigo. Seguiu-se intensa polêmica.

Olhando em retrospectiva, aquele foi um alerta importante. Apesar da história de omissões e manipulações da Globo ser antiga e imensa, nunca uma denúncia havia sido feita com tanta força — e por uma testemunha ocular — através das nascentes redes sociais.

Ou seja, atingiu um imenso público em todo o território brasileiro, via internet. Com isso, milhares e milhares de pessoas tomaram para si a tarefa de monitorar a Globo e fazer suas próprias denúncias.

É um dos motivos pelos quais, nas manifestações de hoje, não faltam cartazes denunciando o caráter partidário, não isonômico, do jornalismo da emissora.

Agora, aos poucos, essa massa crítica vai se tornando internacional, graças aos correspondentes internacionais baseados no Brasil.

O caso mais recente — e grotesco — foi o da completa omissão da confissão de Michel Temer, feita em Nova York, de que o motivo para o impeachment de Dilma Rousseff foi o fato dela não ter aderido ao programa Ponte para o Futuro, do PMDB, de cunho neoliberal.

Não saiu absolutamente nada na Globo — nem em qualquer outro veículo brasileiro.

A colunista conservadora Lucia Guimarães, do reacionário Estadão, ainda tentou desqualificar a denúncia do Intercept.

Foi isso o que mudou desde a denúncia de Rodrigo Vianna em 2006: depois de praticamente banir os que pensavam diferente das redações, numa verdadeira limpeza ideológica,  as empresas passaram a formar e promover uma verdadeira legião de militantes políticos que se apresentam como jornalistas imparciais ou comentaristas neutros.

Porém, além das redes sociais temos agora jornalistas estrangeiros radicados no Brasil, como Glen Greenwald, para testemunhar e denunciar:

Grande mídia ignora confissão de Temer, exceto por acusação falsa de colunista do Estadão

Ontem, Inacio Vieira do The Intercept Brasil expôs uma das mais significativas provas das verdadeiras motivações por trás do impeachment da presidente eleita, Dilma Rousseff. Em palestra para um grupo de empresários e dirigentes da política externa americana, o atual presidente, Michel Temer, admitiu que não foram as pedaladas fiscais que deram início ao processo de impeachment, mas a oposição de Dilma à plataforma neoliberal, composta de cortes em programas sociais e privatizações, proposta pelo PMDB.

Mas o que é ainda mais revelador do que o casual reconhecimento das motivações golpistas de Temer é como a grande mídia brasileira — unida em torno do impeachment — ignorou completamente o comentário do presidente. Literalmente, nenhum dos inúmeros veículos do Grupo Globo, nem o maior jornal do país, Folha, e nenhuma das revistas políticas sequer mencionou os comentários surpreendentes e incriminadores de Temer. Foi imposto um verdadeiro apagão. Enquanto diversos jornalistas e sites independentes abordaram a admissão do recém-empossado, nenhum dos grandes veículos de comunicação disse uma só palavra.

A única exceção à cortina de silêncio que se fechou foi a colunista do Estadão, Lúcia Guimarães, que investiu horas no Twitter humilhando-se, num enorme esforço em negar que Temer havia dito o que disse. Começou por insinuar que o The Intercept Brasil teria feito um “corte” suspeito no vídeo que alterava sua genuinidade — basicamente acusando Inacio Vieira de cometer uma fraude — sem apresentar nenhuma prova quanto a isso. Tudo em função de proteger Temer.

Após um colunista da Folha enviar um link para o vídeo completo, Lúcia escreveu que só poderia acreditar que Temer havia feito a afirmação quando visse os drives originais das câmeras exibidos simultaneamente. Ela acrescentou que o que torna suspeita a reportagem é o fato de Temer ser um autor de um best-seller de direito constitucional, que não diria um “despautério” desses. Apenas quando a transcrição oficial completa do Palácio do Planalto foi publicada, a colunista finalmente admitiu que Temer havia dito a tal frase, mas, em vez de retratar as acusações falsas ou se desculpar com Inacio Vieira e com o The Intercept Brasil por ter sugerido que o vídeo teria sido fraudado, ela apenas publicou a parte relevante do discurso de Temer, como se ela mesma tivesse descoberto a citação e estivesse informando seus seguidores. Mesmo após admiti-lo, a jornalista alegou de forma ligeiramente amargurada que os oponentes do impeachment estavam transformando a questão em um carnaval e comemorando a revelação.

Mesmo tento sido forçada a fazê-lo por ter se complicado para defender Temer, ao menos uma colunista do Estadão reconheceu a existência de uma reportagem de tamanha importância. O resto da grande mídia brasileira a ignorou por completo. Imagine a seguinte situação: o recém-empossado presidente de um país admite para uma sala repleta de oligarcas e imperialistas que ele e seu partido deram início ao processo de impeachment da presidente eleita por razões políticas e ideológicas, e não pelos motivos previamente alegados. Toda a grande imprensa brasileira finge que nada aconteceu, se recusa a informar os brasileiros sobre a admissão do presidente e ignora as possíveis repercussões sobre o caso do impeachment.

Leia também:

Os golpes dentro do golpe

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Publicação de: Viomundo

Rodrigo Vianna: A carta de despedida que desancou a Globo

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LEALDADE

pubicada depois das eleições presidenciais de 2006

Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar — ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: “você não vai aguentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros”. Aguentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos — sim — bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.

Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: “olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás”.

Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política – da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.

Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.

Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: “o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto”.

Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.

Na reta final do primeiro turno, os “aloprados do PT” aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.

Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: “por que não vamos repercutir a matéria da “IstoÉ“, mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?”

Por que isso, por que aquilo… Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?

Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de “petistas” e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do “governo anterior”, acharam que ninguém ia achar estranho?

Faltando seis dias para o primeiro turno, o “petista” Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalática para jornalismo tão seletivo!

Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as “suspeitas”, e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente… A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.

Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.

Também nãoo vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devessemos fazer; seria o fim da picada…).

O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!

Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!

Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulancias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do “dossiê”. Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?

E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, voces sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas “desagradáveis”. A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores…

E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa — as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.

Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!

Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?

Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?

O JN levou um furo, foi isso?

Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele… Mas, a Globo não pôs no ar… O portal “G-1″ botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a “CartaCapital” ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.

Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?

Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.

E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da “CartaCapital”. Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!

Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista “Quatro Rodas” dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks tem a brilhante ideia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que voces acham? Os metalurgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!

Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição…

De resto, esté difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de “pretos e pardos”. Voces já viram isso no ar? Sinto vergonha…

A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como “concubinas” ou “amásias”. Nunca usamos esses termos!

Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de “turcos” pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?

Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de “Parada dos Pederastas”. Francamente, não tenho mais estômago.

Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?

Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de voces.

Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.

Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:

“(…)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança”.

Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas… Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo — sim — no Brasil.

E vejam o vocabulário: “lealdade e confiança”. Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da “lealdade”.

Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.

Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi “leal” com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!

João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:

“Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando”.

Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!

Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na “geladeira”. Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação — especialmente em São Paulo.

Boa parte dos seus “colaboradores” (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas — “colaboradores”, essa é boa… Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.

Mas, isso tudo tem pouca importância.

Grave mesmo é a tela da Globo — no Jornalismo, especialmente — não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?

Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?

Depois, não sabem porque os protestantes crescem…

Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!

Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.

Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.

Foram quase doze anos de Globo.

Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha — nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.

Havia o João Paulada — o faz-tudo da Redação.

Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces…

Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.

Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós — nas ruas, no Metrô, na padaria.

Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia “vallet park”, nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.

Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agencia de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.

Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.

Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas…

1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem “lealdade”; parecem “poderosos chefões” falando com seus seguidores… Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.

2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.

Saudades das equipes na rua — UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.

Saudades dos editores — que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.

Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem — acho que fui leal com as pautas de voces e (bem menos) com os horários!

Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica — sempre leais.

Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter – com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).

Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.

Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.

Um beijo a todos.

Rodrigo Vianna

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Publicação de: Viomundo

Paulo Teixeira e Raimundo Bonfim: Os seis golpes dentro do golpe

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Foto Daniel Arroyo

Os muitos golpes do golpe

Paulo Teixeira e Raimundo Bonfim*

O golpe chegou às escolas. Em vez de promover amplo debate sobre o que deve mudar na Educação, Michel Temer assinou uma medida provisória que institui retrocessos evidentes, como a tendência à supressão do curso noturno e a não obrigatoriedade do ensino de artes e educação física no Ensino Médio. De forma arbitrária, Temer torna a educação pública menos inclusiva (o período noturno responde hoje por um terça das matrículas e é fundamental para quem trabalha durante o dia, impossibilitado de migrar para o ensino diurno, integral ou não) e estabelece um modelo de escola voltado mais para o mercado do que para a formação integral do estudante (o que acontece quando se retiram disciplinas e se obrigam jovens de 14 anos a escolher um campo de estudos).

Tal medida provisória veio se somar à já extensa lista de golpes que se sucedem desde o golpe principal, que tirou do governo uma presidenta honesta para substituí-la por um presidente sem voto, associado a Eduardo Cunha, citado repetidas vezes nos escândalos da Eletronuclear e contra quem há graves denúncias na gestão do Porto de Santos.

A cada semana, um assombro. Quando foi deflagrado o golpe na Educação, a opinião pública ainda tentava assimilar, perplexa, outro golpe: a notícia de que um grupo de jovens fora detido em dia de manifestação após a delação de um capitão do Exército infiltrado. A mando de quem? Com quais instruções? Essas perguntas precisam ser respondidas pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e também pelos ministros da Defesa, Raul Jungmann, e do Gabinete de Segurança Institucional, o general do Exército Sérgio Etchegoyen, já convocados pela liderança da oposição no Senado e na Câmara dos Deputados.

São graves as evidências de que a Polícia Militar do Estado de São Paulo e a Secretaria de Segurança Pública de Alckmin empregaram deliberadamente um agente duplo, cedido pelo Exército. Trata-se de expediente típico de ditaduras e que não pode ser tolerado numa democracia. Tal expediente se configura mais um abuso entre os tantos que vêm sendo cometidos pela Polícia de São Paulo ao reprimir manifestações pacíficas com cassetetes, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e spray de pimenta. O uso desproporcional e incorreto da força nesses episódios afronta o direito constitucional à livre manifestação.

Um quarto golpe igualmente temerário materializa-se no risco iminente de desmonte da Previdência. O que Temer propõe não é uma transição motivada por fatores etários, mas a retirada de direitos previdenciários conquistados em décadas de luta da classe trabalhadora. Golpe semelhante afeta os direitos trabalhistas, com o projeto de ampliar para até 48 horas a jornada semanal e estender o limite diário para 12 horas. O alvo é, mais uma vez, os trabalhadores.

Um sexto golpe guarda relação direta com a falta de compromisso social. Numa trama urdida pelo governo golpista, busca-se aprovar a todo custo a PEC do teto de gastos. Seu efeito será a redução dos investimentos (o governo chama de gastos) em saúde, educação e demais políticas sociais.

Os golpes contra a democracia não poupam sequer o Judiciário. Juízes e procuradores se esmeram em selecionar investigados, acusar sem provas, iludir a opinião pública com infográficos e prender ex-ministros para soltá-los horas depois, produzindo um espetáculo com vistas às manchetes do dia seguinte.

O golpe é parlamentar, jurídico, econômico e midiático. Para legitimar um golpe, deflagram-se outros. A ordem é dilapidar direitos, privatizar serviços, impedir manifestações, criminalizar a esquerda e inviabilizar politicamente o melhor presidente que o Brasil já teve. Por tudo isso, é preciso continuar nas ruas: denunciar o golpe e defender os direitos sociais e a democracia.

 * Paulo Teixeira (PT/SP), 55, é deputado federal e vice-presidente do PT. Raimundo Bonfim, 52, é coordenador da Central de Movimentos Populares e da Frente Brasil Popular.

Leia também:

O dia em que a Lava Jato se tornou oficialmente tribunal de exceção

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Publicação de: Viomundo

É deboche de Moro dizer que ignorava doença da esposa de Mantega

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Mais uma vez o juiz Sergio Moro vem a público demonstrar que suas decisões se baseiam em jogadas midiáticas e pouco estudadas e refletidas.

Ano passado, em abril, uma cidadã brasileira passou por um constrangimento terrível, verdadeiramente impensável: essa mulher apareceu em todas as grandes redes de tevê do país – e, quiçá, do mundo – sendo acusada de operar um esquema criminoso. Sua imagem algemada, cabisbaixa, sendo conduzida pela polícia irá persegui-la para sempre.

—– moro 1

A vida social dessa cidadã foi literalmente extinta. Inclusive, muito provavelmente, essa desmoralização irá perdurar mesmo que nada fique provado contra ela – a mídia que expõe à execração pública é a mesma que não retira essa execração mesmo quando o execrado prova sua inocência.

Marice Correia de Lima, cunhada de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, teve que deixar um Congresso de que participava no exterior e voltar às pressas ao Brasil para se apresentar à polícia devido à ordem de prisão que o juiz Sergio Moro emitiu contra ela.

Essa senhora foi dada como “foragida” pela mídia só por estar fora do país, ainda que não houvesse restrição alguma a que viajasse. Passou cinco dias presa. A mídia em peso apresentou vídeo em que mulher que supostamente seria ela fazia depósito na conta de sua irmã, Giselda Rousie de Lima, esposa de Vaccari.

Nas notícias, Marice estaria depositando dinheiro sujo.

Estava “provado” que Marice era uma “criminosa”. Nas redes sociais, ela, a irmã, o cunhado, enfim, a família toda virou um bando de mafiosos. Por conta disso, o Ministério Público pediu a prorrogação da prisão de Marice por tempo indeterminado.

Felizmente, a indignação coletiva e as provas apresentadas pela defesa de Marice OBRIGARAM Moro a soltá-la, apesar da “certeza” que tinha de sua culpa.

Como se chegou a isso? Como alguém pode ser condenado dessa forma, tão rapidamente? Por que essa mulher teve que largar uma viagem de trabalho ao exterior e pouco depois aparecer como criminosa condenada em todos os grandes impérios de comunicação do país?

Foi tudo por causa de um vídeo.

A imagem captada pela câmera de um caixa-automático provocou essa sucessão de eventos dramáticos na vida de Marice. Essa foi a “prova” que o Ministério Público apresentou ao juiz Moro para que ele tomasse a decisão de mandar prender Marice. Ele, inclusive, proclamou-se convencido de que o vídeo bastaria para jogar Marice na cadeia afirmando que as imagens “não deixavam qualquer margem para dúvida”.

Em poucas horas, porém, tudo desmoronou. A “certeza” do juiz Moro, a fundamentação para a prisão de Marice (o vídeo) e, concomitantemente, o Estado Democrático de Direito.

Moro mandou soltar Marice após ficar claro que havia uma margem quilométrica para dúvidas, ainda que ele tivesse dito, um dia antes, que não havia nem um centímetro.

Moro pediu desculpas, fez alguma reparação à ofendida, soltou alguma nota que lhe permitisse gozar do princípio universal do Direito de que todos são inocentes até prova em contrário? Coisa nenhuma. O que fez foi como dar um chute no traseiro da agravada, enxotando-a de sua masmorra, sem reconhecer que se açodou na decisão de prendê-la.

Confira, abaixo, matéria da Folha de São Paulo sobre o tema.

—– moro 2

À época, mesmo sabendo que Moro desfrutava de proteção do aparato golpista e que, assim, jamais seria responsabilizado por seus abusos, este blogueiro tratou de representar contra ele no Conselho Nacional de Justiça

—– moro 3

Agora, Moro volta à carga em relação ao ex-ministro Guido Mantega. O problema de Moro é com petistas e só com petistas. Não vê mais nada, não vê a corrupção em outros partidos que receberam tantos recursos quanto o PT das empreiteiras investigadas pela Lava Jato.

No dia 16 de agosto, o juiz antipetista decidiu pela prisão preventiva ou mesmo temporária contra Mantega, apesar de as razões para tanto serem absolutamente insuficientes para medida desse galardão.

Desde o início deste ano a doença da esposa de Mantega vem sendo assunto na imprensa. O episódio em que ele foi agredido no hospital Albert Einstein enquanto acompanhava a esposa em exames ficou meses no noticiário, na internet, em toda parte.

Com efeito, a doença da mulher de Mantega é assunto na imprensa desde 2012

Assim como no ano passado, Moro se faz de distraído sobre fatos que todos conhecem. Foi assim quando o mesmo juiz se declarou incapaz de encontrar a mulher de Eduardo Cunha para citá-la.

Eis as consequências de termos um juiz midiático com poder para destruir a vida de quem lhe der na veneta. Todos somos alvos em potencial das idiossincrasias de um homem que só pensa em holofotes, em fama, em sucesso e, obviamente, “naquilo” que tudo isso rende.

Sergio Moro é o rosto, a voz e a mão do golpe

Publicação de: Blog da Cidadania

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